Quebra-pedra entrará para a história: SUS terá primeiro fitoterápico industrializado do Brasil

Planta quebra-pedra (Phyllanthus niruri), espécie medicinal usada tradicionalmente no tratamento de cálculos renais e que dará origem ao primeiro fitoterápico industrializado do SUS.

Quebra-pedra entrará para a história: SUS terá primeiro fitoterápico industrializado do Brasil

Medicamento desenvolvido pela Fiocruz une saber tradicional e ciência moderna e pode chegar às farmácias do SUS a partir de 2026

A saúde pública brasileira está prestes a viver um momento histórico. A tradicional folha de quebra-pedra, usada há gerações na medicina popular, será a base do primeiro fitoterápico industrializado a integrar o Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento é desenvolvido a partir da planta Phyllanthus niruri e representa um avanço inédito na valorização do conhecimento ancestral aliado à ciência moderna.

O projeto foi anunciado em dezembro de 2025 e envolve uma parceria estratégica entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O investimento inicial é de R$ 2,4 milhões, com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).


Da medicina popular ao SUS

Conhecida popularmente como quebra-pedra, a Phyllanthus niruri é amplamente utilizada no Brasil para auxiliar no tratamento de problemas urinários, especialmente cálculos renais. O uso tradicional inclui chás e infusões preparados de forma caseira, prática comum em comunidades indígenas, rurais e tradicionais.

Estudos científicos indicam que a planta atua em diferentes etapas da formação dos cálculos, ajudando a reduzir a cristalização de substâncias no trato urinário. Além disso, apresenta efeitos diuréticos, anti-inflamatórios e antiespasmódicos, o que reforça seu potencial terapêutico.


Segurança, controle e padronização

Diferentemente das preparações caseiras, o fitoterápico industrializado garante dosagem precisa, qualidade controlada e segurança sanitária, seguindo rigorosamente as normas da Anvisa. O medicamento será produzido pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), referência nacional em inovação farmacêutica.

Essa padronização evita riscos comuns, como variação de concentração dos princípios ativos ou confusão com espécies semelhantes, problemas frequentes no uso doméstico de plantas medicinais.


Quando o medicamento chega ao SUS?

Segundo a Fiocruz, o desenvolvimento segue o cronograma da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos:

  • Até meados de 2026: conclusão da fase inicial e produção dos primeiros lotes-piloto
  • Etapa seguinte: estudos de estabilidade e exigências regulatórias da Anvisa
  • Previsão: distribuição nas farmácias do SUS em até dois anos após os lotes-piloto

O medicamento deverá integrar a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), ampliando o acesso gratuito da população a tratamentos complementares.


Bioeconomia, saber tradicional e inovação

Além do impacto direto na saúde, o projeto fortalece a bioeconomia brasileira. A iniciativa envolve o cultivo sustentável da planta, com participação de agricultores familiares e detentores de saberes tradicionais, respeitando o consentimento prévio e a repartição de benefícios.

Para a Fiocruz, o objetivo vai além do medicamento em si: trata-se de consolidar o conhecimento tradicional como tecnologia, fortalecendo a indústria farmacêutica nacional e promovendo o uso sustentável da biodiversidade brasileira.


Um novo capítulo da saúde pública

Para milhões de brasileiros que já utilizam o chá de quebra-pedra no dia a dia, a chegada do fitoterápico ao SUS representa mais segurança, acesso gratuito e respaldo científico. É um passo simbólico rumo a uma saúde pública mais integrada, que reconhece a tradição sem abrir mão da ciência.

O Blog O Quinto Poder acompanha esse avanço como um marco na democratização da saúde no Brasil — onde conhecimento ancestral e inovação caminham juntos em benefício da população.

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