ESTREITO/MA – Rodovia MA-138 vira palanque enquanto Zona Rural pede socorro.
Por Aurelian Vox
Brasília – DF
Localizada no extremo sul do Maranhão, na divisa com o Tocantins, às margens da BR-010 (Belém-Brasília) e às portas da região Tocantina, Estreito ocupa posição estratégica no mapa do estado. É corredor logístico, ponto de ligação interestadual e cidade que deveria simbolizar desenvolvimento regional. Mas basta sair do perímetro urbano e avançar poucos quilômetros rumo à zona rural para encontrar uma realidade que contrasta com essa localização privilegiada.
Pontes de madeira comprometidas, estruturas improvisadas, estradas tomadas por lama e buracos. Vídeos enviados por moradores mostram pais atravessando com filhos nos braços sobre tábuas frágeis, com receio de que a qualquer momento a estrutura ceda. O transporte escolar, segundo denúncias, ocorre em caminhonetes adaptadas no modelo popularmente conhecido como “pau de arara”, expondo crianças a risco diário.
O cenário ganha ainda mais peso quando se lembra que o Maranhão viveu recentemente o trauma do desabamento da ponte Juscelino Kubitschek, episódio que reacendeu em todo o País o debate sobre manutenção e responsabilidade estrutural. Tragédias não acontecem do nada. Elas costumam ser precedidas por sinais ignorados, alertas minimizados e manutenção negligenciada.
Em 2024, um empréstimo superior a 55 milhões de reais foi aprovado com a promessa de modernização estrutural: reforma do hospital municipal, recuperação das pontes da zona rural e melhorias amplas. O discurso foi de transformação. Hoje, diante das imagens que circulam, a pergunta da população é direta: onde estão os resultados práticos desse investimento?
Mas o debate não para no município.
Em meio às denúncias da zona rural, tenta-se a todo custo, a realização de uma mobilização contra o Governo do Estado para cobrar a construção da MA-138, rodovia que liga Estreito ao município de São Pedro dos Crentes. A obra é legítima e importante para o desenvolvimento regional. Contudo, o momento político levanta questionamentos inevitáveis.
Enquanto pontes municipais apresentam risco imediato, o foco da mobilização se desloca para a figura do Governador Carlos Brandão. A responsabilidade pelas pontes vicinais, estradas rurais e transporte escolar é municipal. A rodovia estadual é atribuição do Governo do Estado. São esferas distintas. O que se percebe ai, é uma tentativa da gestão municipal em querer camuflar seus problemas, transferindo-os para o estado.
Que fique claro que a população não quer guerra política. Quer manutenção. Quer segurança. Quer respeito. Quer transparência. Porque no fim, não é o discurso que atravessa a ponte.
São pessoas. São crianças.




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