AMARANTE do MARANHÃO: Sucessão antecipada – Estratégia do prefeito Vanderly Miranda divide opiniões.
Por: Aurelian Vox
Brasília/DF
Base governista estaria desconfortável com foco exclusivo na sobrinha do prefeito e aproximação com antigos adversários.
Nos bastidores da política do município de Amarante do Maranhão, o assunto já não é mais segredo. Em praticamente todos os eventos da prefeitura, seja qual for a secretaria, a presença e o protagonismo da secretária Denha Miranda têm sido prioridade.
O município fica localizado na região sudoeste do estado do Maranhão, integrante da região Pré-Amazônica e Microrregião de Imperatriz, a cerca de 685 km da capital São Luís, tendo como base econômica a agropecuária. O prefeito Vanderly, está no seu segundo mandato, reeleito com 57,10 % dos votos válidos.
Segundo relatos de moradores e até de aliados, o prefeito Vanderly Miranda tem feito questão, chegando até a impor, em colocar a sobrinha como destaque em qualquer agenda oficial. Não importa qual seja a pasta.
Há comentários também de que antigos adversários estariam sendo procurados e recebendo certa “atenção especial”, enquanto integrantes históricos do grupo estão sendo deixados de lado e sem o mesmo reconhecimento.
“Agora, todos os lugares que o prefeito vai, leva a sobrinha. Coloca ela debaixo da asa e sai assumindo compromisso com os adversários. Será que o prefeito pensa que o povo é tapado é? Ele esqueceu das lideranças que ajudou a eleger e reeleger?”. Afirmou um morador em depoimento ao Blog.
Informações de bastidores apontam que parte da base governista estaria desconfortável com a situação. Lideranças que ajudaram na eleição e reeleição do prefeito afirmam estar se sentindo deixadas de lado.
Outro ponto comentado é a ausência de destaque para nomes como o vice-prefeito Junior Carlota, o presidente da Câmara Zé Belmiro e outros secretários, que, segundo relatos, têm aparecido com pouca frequência nas agendas públicas.
Há ainda informações de que dois aliados teriam sido advertidos por elogiarem o vice-prefeito. Uma frase atribuída ao prefeito tem circulado nos bastidores:
“Quem paga seu salário sou eu. Tem que falar é da minha sobrinha e não de vice-prefeito.”
Se verdadeira, a declaração pode gerar ainda mais ruído dentro do grupo.
A tentativa de construir um nome para a sucessão é algo natural na política. Porém, quando o movimento parece forçado, pode gerar reação contrária, principalmente quando a população sente que a escolha vem “de cima pra baixo”.
Muitos eleitores têm se perguntado: O grupo está unido mesmo? As lideranças estão satisfeitas? O povo está sendo ouvido? Ou a sucessão já está decidida sem consulta?
Quando a base se sente prestigiada, ela multiplica força. Mas quando se sente negligenciada, tende a esfriar. Com eleições nacionais e estaduais ainda no centro do debate, antecipar disputas municipais de forma tão escancarada, pode gerar altos custos, desgaste prematuro e abrir espaço para a oposição se reorganizar.
Toda sucessão depende, acima de tudo, de legitimidade junto ao eleitorado. Construção política não se impõe, se consolida.
A percepção pública de favorecimento familiar ou imposição por parte de Vanderly, pode gerar resistência silenciosa, principalmente em cenários onde a população valoriza lideranças construídas de forma coletiva.
Em cenários onde há desgaste interno, normalmente surgem novas articulações.
E na política, quando aliados começam a se sentir esquecidos, o silêncio costuma ser apenas o começo. E isso, é um prato cheio para os adversários.



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