Investigação da PF ao Banco Master: Revelações de Daniel Vorcaro e os Últimos Desdobramentos
O escândalo envolvendo o Banco Master continua a agitar o cenário financeiro e político brasileiro. Sob o comando de Daniel Vorcaro, a instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, sob suspeitas de fraudes bilionárias que teriam inflado artificialmente seu patrimônio em até R$ 45,5 bilhões. A Polícia Federal (PF) lidera uma investigação profunda, que já resultou em prisões, buscas e revelações chocantes sobre operações irregulares, problemas de liquidez e conexões com figuras políticas. Neste artigo, compilamos as últimas notícias e detalhes exclusivos para contextualizar o caso que expõe vulnerabilidades no sistema bancário nacional.

O Contexto do Caso Banco Master
O Banco Master, fundado em 2018 e especializado em crédito consignado, cresceu rapidamente graças a um modelo agressivo de captação de recursos via Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos acima da média do mercado – muitas vezes entre 110% e 120% do CDI. No entanto, investigações do BC e da PF apontam que o banco operava com ativos ilíquidos, como carteiras de crédito fabricadas e precatórios, o que limitava a geração de caixa e criava uma fachada de solvência. Segundo relatórios, o esquema envolvia empresas de fachada e laranjas para movimentar bilhões, com desvios estimados em R$ 11,5 bilhões.

Vorcaro, o principal acionista e presidente, foi preso pela PF em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero, acusado de emissão de títulos falsos e fabricação de carteiras de crédito sem lastro real. Essas carteiras eram vendidas a instituições como o Banco Regional de Brasília (BRB) e depois substituídas por ativos sem avaliação adequada. O rombo total, segundo interlocutores da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), pode chegar a R$ 50 bilhões, afetando investidores, fundos de pensão e o sistema financeiro como um todo.
O Depoimento Explosivo de Vorcaro à PF
Em depoimento prestado à PF no final de 2025, cuja transcrição foi acessada por jornalistas e vazada recentemente, Vorcaro admitiu pela primeira vez que o Banco Master enfrentava uma “crise de liquidez momentânea”, mas negou problemas estruturais de solvência. Ele afirmou que o banco honrou todos os compromissos até 17 de novembro de 2025, um dia antes da liquidação decretada pelo BC. O modelo de negócios, segundo ele, era “100% baseado no Fundo Garantidor de Créditos (FGC)“, seguindo regras do mercado, com foco em cessão de ativos, origem de créditos via terceiros e emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs).
Vorcaro detalhou que injetou quase R$ 6 bilhões de seu patrimônio pessoal para sustentar o banco durante a crise, provocada por mudanças nas regras do FGC – como contribuições extras dobradas para bancos de risco e exigências de investimentos em títulos públicos. Ele sugeriu que essas alterações foram pressionadas por concorrentes e tornaram o Master alvo de uma “campanha para destruir sua reputação”. Além disso, criticou o Departamento de Organização do Sistema Financeiro do BC por criar “tumulto”, enquanto elogiou a fiscalização por atuar diligentemente até a liquidação.
Um ponto polêmico do depoimento envolve conexões políticas. Vorcaro confirmou encontros com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), incluindo uma visita à sua residência, para discutir a venda do Banco Master ao BRB – uma negociação barrada pelo BC sob suspeitas de irregularidades. Ele negou qualquer facilitação política ou prejuízo ao BRB, afirmando que as operações foram desfeitas sem registro de lucros ou danos a terceiros. Vorcaro também mencionou contatos diários com o BC sobre as operações e uma reunião em 17 de novembro de 2025 com o diretor de fiscalização, Ailton de Aquino Santos, para apresentar um plano de venda do banco a investidores estrangeiros.
Em defesa, Vorcaro negou fraude nas carteiras adquiridas de originadoras como Tirreno e Cartos, alegando que as transações não foram concluídas e que o BC estava ciente de tudo via auditorias diárias. Ele rejeitou acusações de créditos falsos, argumentando que não houve dolo, vantagem indevida ou prejuízo – elementos necessários para configurar crime.
Operações Recentes e Novos Alvos
As investigações ganharam fôlego em janeiro de 2026. No dia 14, a PF deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, cumprindo 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo e bloqueando R$ 5,7 bilhões em ativos. Alvos incluíam endereços ligados a Vorcaro, seu cunhado Fabiano Zettel (preso ao tentar fugir para Dubai em um jatinho) e o empresário Nelson Tanure. Essas medidas foram autorizadas pelo ministro Dias Toffoli, do STF, a pedido da PF e com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR), para apurar novos atos ilícitos e elementos concretos de urgência.
No dia 23, uma nova operação, batizada de “Barco de Papel”, mirou a Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do Rio de Janeiro. A PF investiga aportes de R$ 970 milhões no Banco Master entre novembro de 2023 e julho de 2024, suspeitos de irregularidades que ajudaram a inflar o balanço do banco. O presidente da Rioprevidência é um dos alvos, e a ação visa esclarecer se houve gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.
Além disso, a PF encontrou indícios no celular de Vorcaro de que ele ordenou ações coordenadas nas redes sociais para defender o banco e atacar o BC, autoridades e jornalistas. Contratos com influenciadores chegavam a R$ 2 milhões, com cláusulas de sigilo, o que pode levar a um novo inquérito sobre manipulação de opinião pública.
Conexões Políticas e Implicações
O caso transcende o financeiro, tocando em esferas políticas. Além de Ibaneis Rocha, há indícios de envolvimento do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) com Vorcaro, e doações de Zettel a campanhas de Jair Bolsonaro (R$ 3 milhões) e Tarcísio de Freitas (R$ 2 milhões). Projetos de crédito de carbono no Amazonas também estão ligados ao esquema, ampliando o alcance geográfico.
As implicações são graves: o escândalo expõe falhas regulatórias no BC e riscos ao FGC, que garante depósitos até R$ 250 mil por investidor. Para o sistema financeiro, reforça a necessidade de maior transparência em operações de crédito. Politicamente, pode abalar figuras como Ibaneis e reacender debates sobre influência no setor bancário.
Um Escândalo em Evolução
A investigação da PF ao Banco Master e Daniel Vorcaro está longe de acabar. Com novas diligências autorizadas pelo STF e operações em curso, mais revelações devem surgir. O caso serve de alerta sobre os perigos de modelos bancários agressivos e a interseção entre finanças e poder. Fique atento ao O Quinto Poder para atualizações – a verdade por trás desse rombo bilionário ainda está sendo desvendada.


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