A epidemia do século – Resumo semana 10

O coronavírus segue avançando. Milhares de infectados e governos não sabendo como reagir. Nos mercados, pânico. Estamos diante da epidemia que acontece uma vez por século?

Neste artigo não trataremos da periculosidade do vírus para o ser humano, isto foi feito, em parte, na semana passada. Mas sim de suas principais consequências para o mercado financeiro.

O impacto na China

A China está tentando retomar sua produção. Informações consistentes que lá vem são cada vez mais raras. Todavia, sabe-se da simpatia dos grupos de mídia com o governo comunista. Jamais eles colocariam em horário nobre que há milhares de publicações na internet que relatam o funcionamento de crematórios 24 horas por dia. Nem mesmo a truculência imposta aos cidadãos pelos enviados de Xi Jinping foi motivo para manchetes.

Nesta semana imagens de satélite mostrando a poluição sobre a China foram divulgadas. Elas revelaram um nível muito abaixo do normal, o motivos, as restrições impostas na circulação de pessoas, carros e funcionamento das fábricas. A despeito do esforço do governo chinês em mostrar para o mundo como está agindo certo – já existem documentários no Youtube que romantizam a situação mostrando o quão eficiente e prudente foi o governo comunista, porém a verdade é que o país praticamente parou e o governo comunista foi pego com as calças na mão.

O PMI denuncia a estagnação

O PMI chinês de fevereiro foi o mais baixo já registrado, 35,7 pontos. Não obstante, se olharmos para Hong Kong, por exemplo, veremos um PMI de 33,1 pontos. Aqui vale ressaltar duas coisas: (i) PMI abaixo de 50 pontos representa retração e (ii) o PMI mais baixo registrado anteriormente em Hong Kong foi em 2003 durante a epidemia do SARS.

Assim, as expectativas são que o PIB cresça apenas 2,5% no primeiro semestre. Todavia, para quem acompanha a performance da economia chinesa a mais tempo sabe que o crescimento no ano passado foi perto de zero e esta estagnação pode significar que teremos um recuo neste ano.

Na semana 6, afirmei que veríamos a economia do país asiático se recuperando. Já não penso mais assim. O principal motivo não é só a estagnação do país frente à epidemia, mas a forma que o mundo está vendo como o governo comunista chinês encarou toda crise. Podemos usar o exemplo das ordens de retorno de navios com máscaras de proteção que estavam indo para os Estados Unidos.

Diante disso, o mundo viu o quanto está dependente da China. Toda cadeia de suprimentos passa por lá. Por isso, poderemos ver uma realocação das produções industriais nos próximos meses. Acreditamos ser até questão de segurança nacional. Esperamos, portanto, dias difíceis para o Partido Comunista Chinês.

O resto do mundo e o Brasil

A maior economia do mundo surpreendeu adicionando mais 273 mil vagas de emprego. Prova que o coronavírus ainda não atingiu a economia real. Contudo, Wall Street está em desespero. O índice mergulhou no último mês, ainda mais depois da antecipação do corte de juros feita pelo Fed.

Em janeiro, quando Trump suspendeu os vôos para a China, foi criticado. Hoje provou-se uma decisão acertada. O vírus parece se espalhar mais rápido que notícia ruim.

Por aqui, tudo dentro do esperado. Jornalistas dizendo que o povo nas ruas é anti-democrático, congresso chantageando o governo e mentiras sobre um suposto acordo entre governo e congressistas em relação ao veto 52. Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre estão apenas se esforçando para esvaziar as manifestações do dia 15 de março. Creio que nada adiantará, pois o povo os quer na cadeia, não no Congresso.

Assim como os índices americanos, o Ibovespa afundou nos últimos 30 dias. A dependência da nossa economia pela chinesa somada a fragilidade que ainda nos encontramos são os principais motivos. Prova disso é que o dólar subiu 7,17% no último mês, enquanto o índice do dólar, que leva em conta uma cesta de moedas, caiu 2,60%.

Por fim, a queda de mais de 20% no petróleo faz as bolsas despencarem. Está parecendo aquele alinhamento dos planetas que ocorre a cada 800 anos, coronavírus e Arábia Saudita balançando a cotação do petróleo. Além disso, lembremos que estamos em um ano de eleição americana, por isso, estes eventos se tornam mais importantes e definidores para o futuro da economia mundial. Uma vitória democrata nos Estados Unidos significa uma vitória do movimento comunista mundial.

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