As delícias do topo – Resumo semana 26

As coisas do mundo são mesmo mutáveis e a Bolsa de valores mais do tudo reflete isto. Na semana 20 estávamos no Inferno, no fundo. Na semana 22, o purgatório. Ouso dizer que esta semana é o Paraíso, o topo. Mas a Roda da Fortuna gira, gira, gira e certamente nos levará ao fundo novamente.

A semana termina com Bolsonaro e Trump no Japão, no acordo do G20. E numa vitória da diplomacia brasileira, o longamente aguardado acordo com a União Européia, travado desde 1999, saiu. Ainda é prematuro especular efeitos nos preços. Acredito que vai se somar ao sentimento altista por puro efeito de ânimo. É cedo para saber quais setores se beneficiarão. Por mim, aguardo vinho francês e português mais em conta no mercado… Não que o Chile ou Garibaldi não nos entreguem bons vinhos, mas Chateneauf du Pape e Dão são únicos!!!

Politicamente, a derrota de mais um Habeas-Corpus do ex-presidente Lula, mesmo na segunda turma do STF foi mais um balão de ensaio das esquerdas. Reforma da Previdência andou no Congresso e todos gritam agora a obviedade “POR QUE NÃO COMPREI NA BAIXA???“. Você não comprou porque naquela semana de baixa era da psicologia do mercado, vendendo barato e comprando puts caras. Grávidos pela imprensa, os especialistas em errar, todos fizeram maus negócios. Agora todo mundo compra porque estão otimistas, mas agora é hora de não comprar. Ou não!!! É próprio do otimismo achar que sempre vai subir mais.

Sempre sobe mais. Porém cai antes. E sempre cai mais. Porém sobe antes. As ondas de Elliot não se enganam.

Ibovespa se segura no topo, acima dos 100.000 pontos. Dólar formando fundo em 3,8. Penso ser difícil baixar disso. Penso, mas posso me enganar. A inflação diferencial entre as duas moedas sempre faz o dólar encarecer em relação ao real, nossa inflação é maior, simples assim.

Até agora a eventual guerra com o Irã se deu por via incruenta pelo twitter. Há registros de cyber-ataques americanos pesados ao Irã. Tanto melhor. A guerra se dá por muitos meios, financeiros e cibernéticos também. Alívio ao petróleo. Angústia para Rússia e Árabia Saudita para quem os preços precisavam subir.

Quanto à China, ela faz água, é fato. Porém de tal maneira todos estão presos com Pequim, que não é possível deixá-la desabar impunemente, mesmo que merecesse. É como na crise do Subprime, os bancos mereciam quebrar pelo que fizeram, mas a quebra dos bancos levaria a todos de roldão. EUA e China já se acalmaram na guerra comercial.

O grande problema com a China é que ela não quer apenas fazer negócios, e tem objetivos ideológicos e estratégicos pesados. Trata-se de um verdadeiro impasse que o mundo livre sofre.

A China vai quebrar, porém pode ser um caso de “Too Big to Fail” (grande demais para quebrar). É como disse Howard Marks, estar certo antes de seu tempo é o equivalente a estar errado. Conquanto queiramos apostar contra a China, ficar bear em China, os bolsos artificiais comunistas de Pequim são mais profundos que os nossos. Aqueles que apostaram na crise do Subprime quase quebraram eles mesmos antes do sistema imobiliário quebrar.

O ouro reflete todas estas considerações: Se afastou um pouco do topo mas continua em alta, refletindo o perigo sob as águas. Há quem diga que tende a cair, dada a relação ouro/prata em baixa. A lógica é de que quando o apenas o ouro sobe trata-se de desespero de proteção, não uma corrida ao valor intrínseco dos metais preciosos.

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