E a intervenção de Bolsonaro? – resumo semana 15

Chegamos na semana 15 do ano. Pela primeira vez Bolsonaro interviu na economia. Ele impediu o aumento do óleo diesel. Por isso, as ações da Petrobrás fecharam com uma queda maior que 7% na sexta. O mercado se pergunta: teremos mais intervenção de Bolsonaro na economia?

Na semana: Ibovespa: 92.875, -4,36%. Dólar: R$3,88, +0,21%.

O assunto da sexta-feira foi a intervenção do presidente Bolsonaro que impediu o reajuste de preços da Petrobrás. Acreditamos que este tipo de medida não é benéfica para a economia. Contudo, precisamos olhar todo conjunto de fatos para sabermos o que o presidente está realmente buscando.

Intervenção de Dilma x intervenção de Bolsonaro

Os investidores se assustaram com a intervenção de Bolsonaro, pois em suas mentes vêm dois pensamentos: (i) o último presidente que interviu na petrolífera quebrou o país, (ii) a Faria Lemos (rua que ficam concentrados os bancos e fundos de investimentos) nunca acreditou que Jair fosse liberal tanto que apoiou Alckmin nas eleições.

Dito isto, fica fácil entender o porquê tivemos uma queda tão grande nas ações das empresas estatais. Seguindo a Petrobrás, Eletrobrás caiu 4,97% e Banco do Brasil 3,17%.

Devemos analisar a questão friamente, tentando filtrar os ruídos para que então possamos compreender a situação. Assim, o primeiro ponto é a forma que a mídia trata isso. Saber lidar com o jogo de narrativas que a imprensa impõe é essencial para tomar as melhores decisões de investimentos. Desta forma, quando nos voltamos para o passado vemos reportagens como estas: “Dilma rejeita equiparar preço da gasolina ao mercado internacional” e “Reajuste da gasolina e diesel é para o passado, diz Dilma“; que contém forma suave de falar do intervencionismo da ex-presidente na companhia e dá destaque para a suposta proteção que o governo queria dar à população em relação à inflação.

Por outro lado, agora com Bolsonaro, temos estas matérias: “Ingerência de Bolsonaro na Petrobras cria alerta: flerte com o populismo?” e “Bolsonaro admite intervenção nos preços da Petrobras“. Nestes tempos de confusão, até a Carta Capital, uma editora de viés comunista, torna-se ferrenha defensora do liberalismo econômico.

Como interpretar a intervenção?

O segundo ponto é que neste momento podemos interpretar como um movimento de Jair para ganhar apoio popular. Ele vem apanhando diariamente de todos jornais desde que foi eleito. Não importa para estes que ele tenha sido o presidente que mais cumpriu suas promessas nos primeiros 100 dias de governo.

Sendo assim, com todas as propostas que foram encaminhadas: reforma previdência, independência do Banco Central somadas a reforma tribuária, privatizações, que estão por vir, e da própria equipe que forma o Ministério da Economia. Não há indícios que as intervenções na economia serão a moda no governo Bolsonaro.

Se por essa atitude já o classificaríamos como populista ou intervencionista, o que poderíamos dizer de Donald Trump:

Ele com certeza não é um intervencionista, mas pensa no seu povo (sobre a OPEC já falamos aqui). Por isso, Bolsonaro pensando no apoio de uma classe tão importante como a dos caminhoneiros e , por hora, vetou o aumento do diesel. Tudo pela reforma da previdência, ele precisa do apoio popular. Pois, como sabemos só com pressão dos cidadãos os deputados votarão a favor da reforma sem receber cargos em troca, como noticiou O Antagonista aqui. Pediram tanto articulação que quando ela vem pesada a criticam.

Portanto, vemos como um buy opportunity esta queda nas ações. Quando o mercado interpreta os sinais de forma errada, as chances de ganho se abrem.



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