Fed vs Wall Street – Resumo semana 50

Wall Street FED

A semana foi marcada pela reação do mercado à subida de juros do Federal Reserve. A impressão que temos é que há uma queda de braço:
Fed vs Wall Street. Assim, tentaremos abordar alguns pontos que não vimos sendo discutidos na mídia.

Resumo:
Ibovespa: 85.622 pontos -2,13% Dólar: R$3,90 -0,38%

  • Investidores queriam uma política monetária mais frouxa;
  • Powell manteve-se firme e aumentou os juros;
  • China mantém sua política monetária expansionista.

O que Wall Street esperava do Fed

Basicamente, os investidores queriam uma sinalização do FOMC de que, em 2019, uma política monetária mais frouxa fosse adotada. Não houve. Apenas ocorreu uma suavização do discurso. Agora, é previsto um aumento a menos no que vem e o mercado já havia precificado isto.

Entretanto, como a postura do Federal Reserve não agradou, o mercado financeiro deu continuidade ao sell-off. A preocupação com uma recessão é grande. Por isso, qualquer notícia serve para reforçar o sentimento de pessimismo.

Wall Street esperava que o Fed vendo sua aflição viesse socorrê-lo. Todavia, isto não ocorreu e provavelmente teremos a continuação do bear Market.

Fed deu de ombros para o mercado

Jerome Powell, presidente do Fed, não cedeu à pressão de Wall Street. Manteve-se firme e aumentou os juros como havia anunciado durante o ano. Alguns se perguntam: por que o Fed aumentou os juros em um momento que o mercado prevê uma recessão?

A primeira razão é que uma desaceleração não é recessão. Os agentes do mercado podem estar superestimando os problemas da economia. A preocupação do Banco Central é com política monetária e crescimento econômico. Assim, se ele vê que a economia anda bem e está gerando emprego, sente-se confortável em subir as taxas de juros.

A segunda razão seria que o perigo de deflação não é ronda a economia. A deflação é muito ruim para o governo, pois aumenta o valor real de sua dívida. Por isso, embora a inflação esteja um pouco abaixo da meta nos Estados Unidos, a situação parece estar sob controle. Muitos países têm a deflação como uma preocupação como, por exemplo, a Nova Zelândia.

Outro fator que também corrobora com esta razão é a queda do petróleo. O óleo está valendo US$45,41 e caiu na 10,90% na semana e cai 15,55% no mês. Segundo Jim Rickards, a queda no preço do combustível fóssil é causadora de deflação mundial.

E quem vencerá?

A situação pode ser encarada de duas óticas: a de Wall Street e a do FED. Enquanto este tem preocupação com o crescimento econômico, aquele quer saber de colocar dinheiro no bolso.

Podemos encarar a postura do Federal Reserve como sendo o fim da festa. Os investidores ficaram mal acostumados depois dos pacotes de ajuda desde a crise do subprime. A liquidez dada pelo FED garantia o cheap money para os agentes de mercados. A festa acabou. Absolutamente.

E a China?

A China está tomando mais ações com o intuito de manter seu crescimento econômico. Ela vai cortar taxas, incentivar o crédito para pequenas empresas privadas e mais gastos em infraestrutura.

A sua política monetária expansionista será feita com mais cortes nos depósitos compulsórios e emitindo mais de US$275 bilhões de títulos especiais de dívida.

Concluindo, o mercado apenas se preocupa o quanto a China está crescendo e não como este crescimento acontece. Por outro lado, ao olhar para os EUA o pessimismo parece exagerado, ao menos por enquanto.

A guerra comercial travada pelos países vai continuar afetando o humor do mercado e vai, sim, reduzir o crescimento das economias em um primeiro momento. Por isso, teremos Wall Street pressionando o FED para conseguir mais dinheiro.

Portanto, esperamos que os mercados sigam sua a atual tendência de queda, bem como o petróleo. Podemos ver a bolsa brasileiro com um pouco de resiliência pelas mudanças esperadas com a chegada de um novo governo. Contudo, não estamos imunes já que o investidores externo representa 50% do volume negociado aqui.

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