Guerra Comercial atinge China

guerra comercial China

Segundo o FMI, a guerra comercial já atinge a China. Os dados do país que saíram na sexta vieram mais fracos do que o esperado e causaram mais apreensão nos investidores. O receio é que haja uma grave parada na economia mundial. Porém, tudo indica que teremos apenas uma desaceleração. 

Na Ásia, o crescimento econômico esperado em 2019 baixou de 5,6% para 5,4%. A princípio nada muito grave. Porém, sabe-se que uma desaceleração mais forte na China devido à guerra comercial com os Estados Unidos pode atingir também as economias da Coréia do Sul e do, já combalido, Japão.

O arrefecimento da economia chinesa tem sido tema constante no mercado financeiro. Por isso, as declarações do governo comunista vêm ganhando importância. Algumas pessoas ligadas ao Banco Central Chinês declararam que iriam manter o crescimento do crédito e do financiamento social como meio de garantir o progresso econômico.

Podemos interpretar isto como sendo promessa de aumento de gastos. O problema é que o déficit do governo comunista já é de 3%. Assim, a China teria dificuldades de implementar as medidas e enfrentar a guerra comercial.

Não obstante, a China é comandada por um partido comunista e adota há muito tempo medidas anti-cíclicas. Estas quando duram por um período longo geram problemas econômicos, como foi aqui no Brasil na última crise.

Ademais vale o registro, Karl Marx, idealizador do movimento comunista, também era a favor do livre comércio. Em seu artigo de janeiro 1848 ele afirma: “Numa palavra, o sistema da liberdade de comércio apressa a revolução social. É somente neste sentido revolucionário, senhores, que eu voto em favor do livre-câmbio.” Esta declaração nos mostra como as atitudes mercantis da China estão em consonância à doutrina que seus comandantes seguem. 

Qual é a solução da China para a guerra comercial?

O BC Chinês cogita diminuir pela quarta vez no ano os depósitos compulsórios dos bancos, ou seja, incentivar o crédito. A pergunta que fica é: para quem este dinheiro está sendo emprestado? E, estas pessoas ou empresas tem capacidade de pagamento? Qual é a saúde do sistema financeiro chinês? São perguntas óbvias, ainda mais depois da crise do subprime, que hoje se sabe começou muito antes dos anos 2000.

Além disso, temos relatos das cidades fantasmas chinesas. Pode-se alegar que a população é enorme e isto justificaria a construção destes empreendimentos. Contudo, não podemos esquecer que economia é ação humana, está baseada na realidade. O que parece não ser o caso deste tipo de investimento, pois cidades inteiras são construídas
somente para alavancar o PIB. 

Portanto, o que se nota é uma China que está sentindo os efeitos da guerra comercial e parece querer adotar medidas que, no longo prazo, podem ser prejudiciais para sua economia. Algumas questões políticas influenciam, porque o governo dificilmente faria reformas estruturais mais profundas para ajudar a economia como, por exemplo, dar maior liberdade para os empresários chineses. 

Assim, por conhecermos a história dos países comandados por comunistas, estamos de olho na situação chinesa, pois poderiam facilmente mascarar dados para tentar aparentar ao mercado financeiro uma estabilidade que não existe. Então, as próximas semanas nos mostrarão quais serão as ações tomadas pela China em relação a guerra comercial.

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