Série Moedas: Franco Suíço

Esta Série Moedas será uma sucessão de artigos em que apresentaremos de maneira leve e sem complicações as principais moedas mundiais para acumulação de riqueza. E no episódio de hoje…Franco Suíço.

Episódio III

Tão bom que é ruim, o Franco Suíço

Quanto mais penso na Suíça, mas vejo o quão misterioso é este país que se esconde em pleno dia. A Suíça é aquele país nos Alpes famoso por ser neutro nas guerras, entretanto a Suíça se notabilizou no passado por fornecer os mercenários mais ferozes que o dinheiro das coroas européias poderiam comprar. Com suíços os reis se defendiam de seus inimigos externos e internos. Suíços defendia o rei da França, Luis XI, dos próprio franceses, suíços  punham medo no Imperador Romano na Alemanha. Durante a Segunda Guerra, os suíços tinham um plano de destruir completamente o país caso a Alemanha o invadisse (a legendária Operação Pinheiro, Tannenbaum).

A terra helvética foi pátria de dois reformadores dos três do grande cisma do cristianismo no século XVI, respectivamente, Calvino em Genebra e Zwinglio em Zurique. A despeito disso, havia cantões (estados suíços) catolicíssimos governados por bispos. Mesmo sendo uma pátria das Reformas, a Suíça não se dilacerou nas guerras religiosas.

A Suíça fala quatro línguas oficiais, francês do lado de cá, alemão do lado de lá, italiano em certas bandas e no miolo fala romanche, um meta-latim que com pouco esforço se pensa ser português. A despeito disso, já que nossa pátria é nossa língua, um suíço é um suíço, não um meta-francês ou um pseudo-alemão.

A Suíça é um dos poucos, senão o único, país do mundo em que uma democracia plebiscitária funciona, onde o povo é constantemente chamado a votar assuntos legislativos de seus interesses. A Suíça, pasme, a pacata Suíça, foi um dos únicos países da Europa com coragem de vetar minaretes em seu território, a despeito da brutal força política e financeira islamizante sobre o velho continente, e sua fronteira seca com as já fortemente islamizadas França e Alemanha.

Na nossa venerável Helvécia não cresce um pé de cacau, ainda assim tem o melhor chocolate do mundo. A Suíça não tem uma gota de petróleo, ainda assim tem uma pujante indústria química (ou melhor, teve. Após a China, quase ninguém mais tem indústria). A Suíça é um pacato país rural, ainda assim é terra de um dos maiores sistemas bancários do mundo. Por fim, na Suíça fica Davos, o balneário de esqui que sedia a reunião dos países mais ricos do mundo. E fazendo um aceno a literatura brasileira, na Suíça morreu e foi enterrada a misteriosa Capitu de nosso Dom Casmurro.

A força do Franco Suíço

Tudo o exposto, a Suíça tem uma moeda forte, o franco suíço (CHF). Os mais velhos lembram-se dos francos franceses, antes do euro. A Suíça entrou na União Européia até o limiar, a “Área Schengen”, mas, convidada a entrar, ficou de fora. E manteve sua moeda, seu franco.

O franco suíço é tido como uma moeda forte. O sistema bancário suíço era famoso por aceitar depósitos de qualquer parte do mundo, sem questionar muito. Mesmo que o depósito possa ser em outras moedas, isto faz com que naturalmente o franco seja sempre um porto-seguro. É verdade que após os Protocolos Bancários de Basel, não é mais tão fácil meter dinheiro sujo na Suíça e não ser alcançado, nem a Suíça quer mais ser vista como destino da rapina no mundo. Mesmo no Brasil, a operação Lava-Jato, em consórcio com a Interpol, já conseguiu rastrear e trazer de volta dinheiro sujo na Suíça. Aliás, um dos delatores da Lava-Jato conta como, aliás, foi enganado por um banqueiro suíço que sumiu com seu dinheiro de propina (ladrão que rouba ladrão…).

O franco suíço, como todas moedas do mundo, é fiduciária, vale o quanto se crê nele. Há muito a conversão em ouro fora abandonada. Em 2015, na crise do Euro, o franco suíço sofreu uma apreciação brutal frente ao dólar e euro. O dinheiro correu ao franco suíço como porto-seguro, potencialmente arruinando os negócios suíços e suas exportações para a Europa, além de jogar deflação no colo helvético. A Suíça prosaicamente desvalorizou o franco na marra. Um país pequeno consegue fazer sem muito esforço. Ou seja, quem pagou franco suíço caro perdeu dinheiro. Como princípio, a Suíça quer manter sua moeda ali abaixo do euro e ao pé do dólar. A decadência do Reino Unido e de sua libra esterlina justamente é retratada aí: preferiu-se correr para a pequena Helvécia que para a pujante Britânia.

No dia em que este texto foi escrito, o franco suíços valia um dólar, redondo, e um euro, 1,14 CHF. Como o dólar é a moeda conversora mundial por excelência, o leitor já consegue inferir que a mesma cotação do franco suíço é igual ao do dólar em reais, logo, 1CHF = R$ 3,75. Desde a criação do real, a inflação do franco suíço foi de 15%. Ou seja, a moeda é uma boa reserva de valor. O que é natural, para um país bancário. Você guarda dinheiro no banco justamente para “reservar” ele, não?

Não recomendamos aplicações em franco suíço, a despeito de ser moeda forte e excelente reserva de valor. A Suíça é fortemente bancarizada, então ela pode desvalorizar o franco e resposta a ataques de apreciação numa crise bancária (grosso modo, imprimir mais dinheiro). O franco suíço é má aplicação porque justamente é uma moeda tão boa. Ou seja, se o franco subir, a Suíça vai o derrubar, simples assim. Melhor para os negócios. Dela, não os seus.



Leia mais sobre outras moedas:

Real Brasileiro

Dólar americano

Euro da União Européia

Libra britânica

Rublo russo

Yuan Chinês

Yen Japonês

Franco suíço

Outros

Direitos de Saques Especiais do FMI

Ouro

Bitcoin



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3 thoughts on “Série Moedas: Franco Suíço

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