O liberalismo impossível – Resumo semana 33

Nesta semana a Bolsa não resistiu a próprio peso e realizou os lucros numa sucessão de baixas. Nem mesmo o mercado americano nos topos nos ajudou. Infelizmente, o problema é no Brasil mesmo.

Vitórias do establishment

O pessimistmo tomou conta. A saída de secretário de Desestatizações e Privatizações, Salim Mattar, e do secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, foram tomadas como os grandes motivos do desânimo. Em continuidade após o final de semana, o subsecretário de Política Macroeconômica, Vladimir Kuhl Teles, deixou também o cargo. A política brasileira é uma coisa engraçadíssima. Tudo fazem para dinamitar o governo Bolsonaro, e quando o mercado reage temendo o fracasso das medidas liberais tão perseguidas dia e noite pelo establishment legislativo e judiciário, todos ficam com cara de ó, “Que preocupante! Estamos comprometidos com as reformas!“.

Dessa forma, os críticos ficam alimentando o dragão dia após dia, e quando este começa a sair da jaula são os primeiros a gritar que a besta está maior do que antes e devemos correr. Eles causam o problema e denunciam-no. É a sequência do jogo do quanto pior melhor. Tudo para salvaguardar o establishment. Como poderemos ser liberais? O liberalismo é impossível aqui.

Em sua saída, Mattar alegou que faria mais pela causa da redução do Estado fora do governo que dentro. Faz sentido. Nada acontece na política que antes não esteja no imaginário, na literatura e no debate público. Sem uma sólida rede de Think Tanks não se pode vencer a fortaleza jurídico-administrativa do estamento burocrático. Com tantos adversários, Paulo Guedes faz milagres

De volta ao Antigo Regime

Os militares no governo, como os Bourbon da Restauração, não aprenderam nada, nem esqueceram nada. Nos trazem de volta ao regime militar: Chutam a direita civil para fora do governo e permitem que a esquerda fique livre, leve e solta no campo hegemônico ideológico. Quando do fim do regime em 1988 não havia mais direita civil e a esquerda estava pronta para tomar o poder menos de dois mandatos presidenciais depois. E tamanha é a perseguição e sabotagem interna aos conservadores (chamada impropriamente de “ala ideológica”) que os militares vão entregar um país de belas estradas e grandes usinas… para a esquerda.

Estão coçando a mão pela saída de Guedes? Querem fazer o PAC 3? Lembram-se do PAC, Plano de Aceleração de Crescimento de Dilma? Uma bela peça publicitária, uma coleção de obras feitas às pressas, uma farra de gastos públicos que é até ofensivo chamar de keynesiano. Bom, cumpre lembrar que João Santana, o marketeiro de Dilma está preso na operação lava-jato.

Assim como o peronismo assola a Argentina, o desenvolvimentismo e o positivismo assolam o Brasil. Sim, secretamente dentro de todo brasileiro achamos que basta o faraó Quéops estralar os dedos para fazer uma pirâmide que nossa economia vai engrenar. Nós queremos o rei Salomão que no alto de sua glória faça um novo Templo coberto de ouro, bronze e cedro do Líbano… só não queremos um rei sábio e temente a Deus como Salomão, basta apenas ser salomônico nos gastos públicos.

Indicadores P/L em alta

Como prevíamos, conforme os resultados do segundo semestre vão saindo, os lucros vão sendo menores, ainda que menos ruins que o esperado. Porém com a queda no denominador, o indicador Preço/Lucro aumenta. Ora, daí se conclui que as ações estão “caras”. Nem tudo vira barganha e os preços da máxima antes do crash do coronavírus não parecem alcançáveis.

Mas não é censura

O que era velado ficou aberto. Nossos artigos não são mais publicados no Investing.com. Tudo se integra no projeto de calar as vozes dissidentes contra o establishment, como Alex Jones, Jordan Peterson, Michael Jones, Olavo de Carvalho, James Richards, Alan dos Santos, Stephen Molineaux, Bernardo Kuster e tantos outros. Até mesmo este humilde e virtualmente desconhecido portal sofreu a implacável fatwa dos senhores das redes. Que um site tão pequeno sofra isto são sinais dos tempos.

Os motivos dados são plásticos, ora os artigos são densos e bons demais, ora bons de menos. Nas diretrizes editorais da Investing recomendam usar a plataforma para divulgar seu trabalho e seus sites, a despeito disso alegam para recusar “excessos de links” (como se na internet o link não fosse a referência bibliográfica do que se fala!). Finalmente, tudo é coroado com o sofisma “não é seu direito publicar aqui”, o que turva as águas lançando o conceito jurídico de direito no que é amplamente oferecido ao público (Imagine de maneira análoga um comerciante soltar um “não é seu direito ser servido aqui” para alguma minoria racial). Os censores da Investing são tão obstusos que não percebem haver gerado um passivo jurídico à própria empresa, já que se ela avalia o que se publica, necessariamente ela tem responsabilidade legal pelo que se publica. Este silogismo é inquebrantável pela lógica mais comezinha.

Este portal “O Quinto Poder” é feito por pessoas físicas para suas análises pessoais e devido registro da história econômica recente. Não se distingue muito dos anais manuscritos dos velhos mosteiros medievais senão pelo meio. Nem ganhamos dinheiro sequer com propaganda, fazemos por gosto e dever intelectual. Ou seja, que as análises aqui saiam do quanto querido pelo establishment é apenas uma consequência da aplicação do princípio honestidade intelectual. Para ser franco, considerando o estilo massudo e “nem-nem” dos recentes artigos publicados na Investing, que falam falam falam e nada dizem, de fato nosso lugar não é lá. Aristóteles não se sentava com os sofistas, nem Platão com os acusadores de Sócrates.

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