Tempos liberticidas – Resumo semana 27

Esta semana o mercado financeiro andou de lado. A dinâmica são as notícias da recuperação em V versus os números do maldito coronavírus, com sua ampla cobertura da sempre homogênea imprensa.

Vivemos tempos liberticidas. Como se não bastasse a Amazon retirando do catálogo os livros do excelente Dr. Michael Jones, bem com o YouTube tirando do ar o canal do filósofo Stephen Molyneaux (a acusação é a mesma que condenou Sócrates com outras palavras), a notícia é que diversas empresas, entre elas Unilever, Procter Gamble e Target, decidiram boicotar Facebook e Twitter por conta da tolerância com “posts racistas” – sendo que qualquer coisa nesta vida pode ser classificada como racista – o que é um despautério tremendo, já que empresas não podem ser censoras de plataformas. A Unilever, prosaica fabricante de sabão, não pode ser Ministério da Verdade.

As Redes Sociais, tendo alimentado o dragão da censura, bebem do seu veneno. Ao censurar, elas deixam de ser plataformas neutras, e podem ser responsabilizadas pelo que vai nela. Ao mesmo tempo abrem o flanco para que seus anunciantes exijam (mais) censura nelas. Na prática, Facebook e twitter perderam uma centena de bilhões de dólares de valor de mercado.

Por outro lado, é tudo temporário, já que nenhuma marca pode abrir mão das redes sociais. É como o Black Live Matters, que sempre recrudesce em ano eleitoral. Não obstante, há que se investigar se gente graúda nestas empresas anunciantes não fizeram estas manobras bombástica com shorts montados em Facebook e Twitter.

Mas poucos, se algum chega a tanto, entendem que, sem um conjunto de valores culturais socialmente favoráveis à liberdade econômica e, mais ainda, sem os canais e instrumentos para a defesa e preservação desses valores, o capitalismo vai-se reduzindo pouco a pouco a uma concessão estatal provisória, até que se torne tão fraco politicamente que possa ser destruído da noite para o dia sem que um só protesto se levante contra o advento do comunismo. – Olavo de Carvalho, Por que sou insuportável, 14/01/09

Na Ásia, a despeito da China implantar uma ditadura total em Hong Kong, seus índices acionários não caem, mostrando que o mercado não está muito ai para liberdades. Mas não me surpreende. A Bolsa de Shangai pouco caiu com a crise do coronavírus. Quem não deixa Shangai cair faz Hong Kong subir, se é que me entenderam.

Mas a atividade econômica na zona do Euro está mais forte que o esperado, o desemprego americano cai. No Brasil, as quarentenas relaxam conforme os números do vírus recuam, a despeito da imprensa insuflar como quem assopra brasas que estavam se apagando.

A despeito disso tudo, percebe-se um certo cansaço na Bolsa brasileira. É difícil prever algo, mas teremos dias andando de lado pela frente. Os múltiplos P/L ainda estão baixos, mas teme-se que o resultado do segundo trimestre corrija o denominador L.

Há muita gente interessada nas baixas do mercado e em dificuldades de recuperação do Ocidente. A eleição americana está ai. Num dia tudo parece em brancas núvens, com a crise para trás. No outro, o coronavírus está a espreita na esquina, pronto para matar a todos.

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