Dólar decola – resumo semana 20

O corte de juros levou a uma acentuada desvalorização do Real frente à moeda americana. O dólar beirando 6 reais virou o segundo assunto do momento no país, perdendo apenas para o vírus chinês. As incertezas econômicas geraram muita desconfiança dos investidores que têm fugido do real. Não podemos negar que o ambiente lá fora também não contribuiu, porém o que ainda carece de melhor entendimento são os reais motivos dos sucessivos cortes de juros.

O Brasil definitivamente entrou na dinâmica de juros baixos acompanhando outros países. Ao fazer isto, apenas uma economia sólida e contas do governo equilibradas manteriam nosso poder de compra internacionalmente. Evidentemente não é nosso caso.

Surpreende, contudo, a confiança que a equipe econômica transparece nesse momento. Embora o mercado esteja desconfiado com os rumos da economia brasileira, o discurso do ministério da economia é otimista e sempre batendo na mesma tecla: salvar vidas e salvar empregos.

Vale lembrar que não estamos diante de um ministro que colocaria o ajuste fiscal em segundo plano para fazer contabilidade criativa e impressionar a imprensa. Não obstante, vemos alguns agentes de mercado já torcendo o nariz para Paulo Guedes. Talvez seja porque ele se posicionou de maneira firme ao lado do presidente, pessoa não muito querida entre alguns frequentadores da Faria Lemos, as viúvas do tucanato.

Analisamos na semana 18 algumas falas do ministro da economia e a partir dela tentaremos jogar alguma luz no assunto.

Os mais pessimistas estão preocupados com as consequências que os lockdowns gerarão. O agravante seria as instabilidades políticas que atingem a república toda semana. Uma das consequências das confusões em Brasília seria um governo federal tomando decisões mais progressistas e fazendo disparar a dívida do país. A queda de arrecadação e aumento da dívida são outros fatores que entram no radar.

Na maioria dos casos são eles os maiores críticos do governo. Repetem os jargões utilizados pela esquerda para atacar o presidente e criar um clima de instabilidade que serve, no fim, para confirmar suas previsões apocalípticas. As análises técnicas, deste modo, perdem seu componente principal e entram no jogo político.

De outro lado, temos o grupo que acredita na equipe econômica e sabe que a situação é delicada. O governo federal passou os últimos anos tentando arrumar os estragos feitos pelos governos petistas. Os gastos extras para a manutenção do sistema de saúde e dos empregos foram um freio-de-mão na melhora das contas brasileiras. Toda situação econômica foi agravada por prefeitos e governadores que, mesmo sabendo que o lockdown não é garantia de salvar vidas, recorrem a nefasta estratégia para enfraquecer o governo e causar mais pânico na população. O resultado só poderia ser mais mortes – seja pelo vírus, seja pela fome.

A questão é que inaugurada essa nova fase de juros baixos o real engatou uma sequência quase interminável de desvalorização, muito em conta das incerteza geradas por aqueles que, até Bolsonaro assumir, pediam uma economia mais livre, aberta, com menos burocracia, juros mais baixos e reforma da previdência. Não podemos esquecer que os juros altos alimentava rentistas e fundos privados que cobravam altas taxas de administração sem dar o devido retorno aos cotistas.

Alguns dizem que a estratégia dos juros baixos e real desvalorizado é visando o longo prazo, entre eles o próprio ministro da economia. A equipe econômica quer a reindustrialização do país, incentivar as exportações para que o capital estrangeiro inunde a economia brasileira. Sabendo que cada ponto percentual a menos da taxa SELIC gera uma economia de R$80 bilhões no custo da dívida e vender as reservas com o dólar tão alto geraria caixa para União que poderia, assim, abater a dívida pública.

Temos visões antagônicas sobre o futuro do país postas na mesa.

De fato, não temos uma situação simples. A torcida organizada por aqueles que prevêem o pior cenário detém a maioria dos meios para desestabilizar o governo e manipular a opinião pública. Por outro lado, os que lutam pela recuperação da nação seguem lutando contra tudo e todos. Na nossa visão o resultado será uma mescla entra os dois cenários descritos, tendendo para o lado mais otimista. Esperamos ser beneficiados pelo fato das exportações de grãos e proteínas animais estarem em alta e pela distribuição de renda feita pelo governo.

Portanto, a única certeza que temos é que os caciques que queriam renunciar o presidente alongarão o máximo que puderam as medidas para destruir a economia e quem pagará o preço serão tanto as pessoas as quais não terão dinheiro para comprar seu sustento quanto aquelas que ficarão nos hospitais sem receber o remédio adequado para se salvarem.

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