Dos juros e dos cenários

Numa semana calma politicamente podemos realmente focar nos fatores econômicos. O governo se prova antifrágil e mais resistente que se esperava. Duas semanas depois da saída de Sérgio Moro, quase nada mais resta politicamente dele.

Juros a 3%

O Banco Central do Brasil reduziu a taxa de juros para 3% aa, sem dúvida alguma a menor da história. Se você deixar R$ 10.000,00 no Tesouro Direto, num pós-fixado, você vai tirar em um ano R$ 300. é verdadeiramente uma taxa impensável para quem viu o recorde de 14% no pico da crise de Dilma Rousseff.

Conquanto a taxa baixa seja apenas um testemunho da boa situação das contas brasileiras sobre Paulo Guedes e Jair Bolsonaro, temos que levar em conta que estamos na crise do Coronavírus. O governo está tendo muitos gastos inesperados, inclusive com a salvação de Estados e Municípios.

O mundo inteiro vive um ciclo de juros baixo, mas isso deve nos preocupar. Quando juros baixam historicamente, os ativos da bolsa sobem e temos uma situação paradoxal: Os ativos da bolsa manterão o valor real deles através na subida dos mercados. Entretanto, as empresas afetadas pela crise do coronavírus não terão receita equivalente, viveremos um paradoxo, porque teremos ativos que subiram por pura simples, efeito da inflação inercial do aumento de moeda na economia, enquanto as receitas e o retorno das empresas estão muito menores.

Da Recuperação

Muitos estão céticos no mercado se realmente será possível algum tipo de recuperação econômica após toda essa crise do vírus chinês, se será apenas uma decida em V, com rápida queda e rápida deterioração. Olhados friamente, os números estão piores que os da crise de 1929, mas as situações são tão diferentes que realmente desta vez é diferente para pior. Tanto Donald Trump quando o Paulo Guedes anunciaram anos espetaculares para dois mil e vinte e um torcemos por isso, mas reconhecemos a dificuldade. Os números de perdas de emprego nos EUA e no Brasil já impressionam. Aguardemos as falências.

Teremos chegado num ponto de não-retorno em que a crise do Coronavírus provoca uma recessão de longo prazo? Não sabemos, ninguém sabe, mas os juros baixos, além de aliviarem as contas do governo, também provocam desestímulo à poupança, gerando mais investimentos.

Programas de renda mínima podem gerar um problema maior a longo prazo, uma horda de estado-dependentes, com a ruína da classe média. Politicamente, este é um cenário que faz uma pandemia parecer piedosa.

Em conclusão, nunca devemos prever o futuro, mas estes tempos estão particularmente difíceis. Com a chuva de dinheiro dado pelos Bancos Centrais via juros baixo, será gerada inflação? Seriam as ações na Bolsa a melhor maneira de proteger o poder de compra? Ou a recessão do Corona vai desfazer quaisquer chances de aquecimento ou mesmo depreciação monetária?

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