A mudança do mercado de crédito e a corrupção – Resumo Semana 51

BNDES

O ano de 2019 foi um ano em que tivemos os juros em níveis históricos. Embora alguns indicadores apontam para uma melhora da economia real, a mudança na dinâmica do mercado de crédito também chama a atenção e foi assunto da última ata do Banco Central no ano.

O indicativo do Banco Central na ata de sua última reunião foi cautela em mais cortes na taxa SELIC. Pois, a economia parece ganhar força e o mercado de crédito pode reduzir a ociosidade e criar pressão inflacionária. Para este anos, as expectativas são que inflação fique um pouco abaixo da meta novamente. Ademais, cumpriu-se nossa previsão do Banco Central ser um dos protagonistas neste ano.

A mudança da estrutura do mercado de crédito

Ao falarmos de juros dois fatores chamam a atenção. O primeiro é a menor participação do Estado, via BNDES principalmente, no volume de empréstimos, o que por consequência forçou empresas a irem ao mercado procurarem crédito fortalecendo assim a concorrência. Bom para fintechs e bancos digitais.

O segundo ponto foi que com a redução do capital direcionado, que normalmente tem algum subsídio, o impacto da política monetária na economia é maior. Para exemplificar, se antes tínhamos o BNDES emprestando dinheiro a 6,5% ao ano, para muitas empresas não importava se a taxa básica de juros era 14% ou 10%, elas sempre recorreriam ao banco estatal. Por outro lado, quando o BNDES fecha as torneiras, estas mesmas empresas se vêem obrigadas a irem ao mercado, seja lançando títulos de dívida ou recorrendo aos bancos privados, para financiarem seus projetos.

Pelo histórico recente do Brasil, sabemos o quanto é bom um movimento deste para os brasileiros. Além de não termos mais projetos que por vezes não eram viáveis e eram fontes de conchavos políticos, não temos mais as escolhas das campeãs nacionais e nem empréstimos para jatinhos executivos.

Portanto, estas são mudanças significativas na forma de como a equipe do Banco Central age na economia. Estamos indo no caminho de uma maior liberdade econômica. Vontades puramente políticas tendem a ter menor influência na economia do Brasil nos próximos anos. Por isso, a mudança na estrutura do mercado de crédito, em segunda análise, pode ser o desmantelamento de um esquema de poder silencioso montado no país nos últimos 30 anos.

BNDES
Acabou o dinheiro público fácil

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