“Buy on dips” – Resumo semana 36

buy on dips

Compre no mergulho – Compre na imersão – Compre na baixa – Compre quando afundar – “Buy on dips“. O português não consegue registrar adequadamente a sutileza do inglês. Pense naquela batata frita que você mergulha rapidamente no molho e come. É o dip. Assim é a Bolsa. Ela não cai como uma pedra que vai direto ao fundo. Ela é como uma batata frita, afunda o rapidamente no molho dos preços baixos e do pânico do mercado para que você saboreie plenamente os lucros.

Bovespa dando adeus aos 100.000

Há três semanas atrás, com mais uma puxada da crise sino-americana, inversão da curva de juros e as agruras da Argentina começou uma depressão, e todos já prognosticavam o fim. Sim, o fim. Mercado em pânico, sell-off.

Que belas oportunidades… eis que no meio desta semana tudo reagiu. E os 100.000 pontos, invadidos para baixo, foram recuperados para cima. Que maravilhoso ponto de entrada. Reforma da Previdência, como já tantas vezes prognosticamos. Uma votação no Congresso já devolve o bom humor a todo mundo.

O mercado é como um navio, ele demora para frear e demora para acelerar. Mas existem estes dips, estes mergulhos. Eles são pontos adoráveis de grandes lucros. Você ouvirá a sabedoria de que não se deve pegar a faca caindo, mas esperar para entrar no fundo do mercado é tão vão e impossível quanto esperar o topo para vender. Porque fundos e topos se sabe apenas a posteriori, você sabe ter formado um fundo depois de uma alta que o tirou do ponto ótimo de compra no fundo, da mesma maneira com o topo. Ou seja, esperar fundos e topos não é otimizável por natureza.

É por isso que devemos ter dinheiro desinvestido, “mad-money“, para pegar a faca caindo, mesmo que o preço caia mais um pouco, as vezes vale a pena comprar barato, ainda que depois você veja que foi ma non troppo. Frequentemente os dips voltam.

buy on dips

Comprar barato é minimizar o risco. É mais arriscado comprar uma ação em tendência rompendo recordes atrás de recordes que uma que caiu bastante. Risco é a probabilidade de prejuízo, é mais fácil ter prejuízo numa realização de lucros de uma campeã que num sell-off de uma ação já muito distribuída e descontada. Uma já subiu muito, e tem muita energia estocada para cair. Outra já apanhou muito, e perto do fundo do poço há uma mola.

É importante um alerta que estes dips devem ser de todo o mercado, quando rola um barata-voa e todos estão vendendo ações boas e ações ruins. Se a queda ampla e expressiva ocorre numa ação, provavelmente ela tem algo intrínseco dela que a fará cair mais. É tal a dinâmica do mundo que o mercado financeiro sempre tenta de proteger em grupo de um crash, mas nunca uma ação em específico. Se aquela determinada ação começou a cair violentamente a despeito do mercado estar calmo, saia dela. Saia já.

Oi! – Ui! Ui! Ui!

Exceto… a Oi (OIBR3). A empresa não passou a dar mais prejuízo que o esperado, nem passou de Recuperação Judicial à Falência, mas foram uma sucessão de notícias que ela caiu rapidamente e com muito pânico e depois retomou, ainda que em parte. Houve choro e ranger de dentes de quem comprado vendeu no prejuízo e de quem shorteou e viu ela retomar. Não entendo os gritos de dor: Comprar Oi e ela ser noticiada como deficitária é como ir no prostíbulo e se surpreender na eventualidade de contrair DST. OIBR3 tem status de opção, negociar com ela é tudo ou nada.

Não prevejam tão cedo o fim do mundo

Em termos de dividendos e preço/lucro, em receita, market-share e tamanho da empresa, Itaú (ITSA4) é a melhor das melhores ações, é o paraíso da Análise Fundamentalista, é o príncipe perfeito. Mas já há quem prognostique o fim do bancão laranja por conta dos banquinhos digitais. Parece-me muito prematuro. Mesmo que os bancões estejam fadados a desaparecerem como os dinossauros – repito, hipótese prematura – negociando a P/L de 10-12 Itaú tem muitas alegrias a dar. E como também sofreu com o dip do mercado, ficou melhor ainda para entrar. As últimas duas esticadas, de 12,25 para 12,95 virtualmente sem paradas em dois dias, apenas demonstra isto.

Se um dia os bancões começarem a ser engolidos por mudanças no mercado, como o foram Saraiva e Cielo, será como Machado de Assis descreveu no seu conto O Alienista:

“Se a miséria viesse de chofre, o pasmo de Itaguaí seria enorme; mas veio devagar; ele foi passando da opulência à abastança, da abastança à mediania, da mediania à pobreza, da pobreza à miséria, gradualmente.”

Alienista, Capítulo V – “O Terror”

Ate lá, da abastança a pobreza, haverá muitos dips e volatilidade para se lucrar. As pessoas entram em pânico não como se as ações não fossem entrar em tendência de baixa, cheios de bons pontos de saída, mas como se fossem falências inesperadas. Ninguém quebra da noite para o dia. E as vezes reagem de volta, vejam Cielo (CIEL3) como ainda teve virtude de retomar:

O retorno de Cielo

A mensagem aqui é muito simples, não entre em pânico: lucre com o pânico.

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