A inversão – Resumo semana 34

E a alta é causa de baixas… esta semana tivemos um coquetel de más notícias, causando uma inversão de sentimentos nos investidores, e de boa alta rumamos ao pessimismo e baixismo, justamente em semana de vencimento de opções.

Inversão da curva de juros americana

Ocorreu a tal inversão da curva de juros americanos, quando os juros longo rendem menos que os juros curtos. Assim como no Brasil, o governo americano emite seus títulos da dívida. Os títulos de longo prazo rendem mais que os de curto, porque embutem mais risco, dado que há mais tempo de rendimentos neles. Aconteceu do mercado precificar estes títulos com menos rendimentos que os curtos, a curva se inverteu.

A lógica é que estes juros de títulos americanos são os mais seguros do mundo, e dinheiro posto neles é tido como dinheiro certo contra tempestades. Se os juros longos a mercado estão mais baratos que os curtos, significa que os investidores estão querendo tanta segurança que pagam um ágio nestes títulos, agam mais caros. Ora, na prática, pagando mais caro um título público significa que você abre mão de juros dele, logo os juros “caem”. É o mundo a espera de recessão

Dow Jones

O que particularmente me incomoda é que o Dow Jones, num suporte, tem espaço para cair até o próximo suporte.

É fácil de entender com um exemplo real. Imaginem um título pre-fixado custando R$ 100,00 em valor de face pagando 8% ao ano. Daqui a um ano ele vale R$ 108,00. Se você comprar este título por R$ 100,60 daqui a um ano você continuará recebendo R$ 108,00. Porém seus juros de fato caíram de 8% para 7,3%. Se o mercado quer segurança, o preço dos títulos sobe pela procura e os juros reais caem.

Este indicador é certo? De forma alguma. Tem sido apontado que as vezes ele falha, as vezes precede demais a recessão.

Ouro

Ouro atingindo suas máximas em 1538,75 USD/onça. Para o investidor brasileiro a alta do ouro foi de quase 25%, já que deve ser computado o aumento do dólar. O ouro físico nas casas de câmbio desde o início do ano saltou de R$ 150/grama para 200 R$/grama.

Guerra comercial

Bovespa

Sexta-feira foi particularmente ruim. A Bovespa chegou a dar um novo martelo quarta-feira, indicando que a alta poderia ser retomada. Quinta recuou e negou o martelo, apoiada em rumores quanto à anúncios de privatizações no Brasil. Finalmente sexta-feira Donald Trump anunciou tarifas comerciais à China, e foram-se Bovespa e Dow Jones -2,5% pelo ralo. A guerra comercial será uma fonte extrema de volatilidade do mercado, e qualquer baixa pode se atribuir a ela.

Dólar

E o dólar para R$ 4,12… A América Latina já sofria com os problemas da Argentina, agora mais esta má notícia.

A economia brasileira mostra sinais sensíveis de melhoria, é inegável, assim como a americana. Entretanto tamanha é a força da oposição de esquerda e suas narrativas, aqui como nos EUA, que tudo isto é ocultado. O perigo de recessão mundial existe, obviamente, porém parece nebuloso.

Privatizem tudo!

ELET6 – Eletrobrás

Cinicamente falando, basta o governo Bolsonaro anunciar uma ou duas privatizações (o boato de privatização fez Eletrobrás saltar mais de 10% quarta-feira) que a Bovespa dispara. Eis boas oportunidades. Assim como vender puts de estatais blue chips como Petrobrás e Banco do Brasil. Dificilmente estas duas vacas sagradas seriam privatizadas num primeiro momento, mas se beneficiariam da notícia. Vender puts é ser um investidor contrarian no extremo, você vende para ser exercido e se forçar a comprar ações baratas a preço de banana, mesmo que você esteja apavorado com a baixa. É como um stop-loss ao contrário, é se forçar a entrar no mercado enquanto você apenas quer ficar na cama debaixo dos cobertores em posição fetal.

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