O Martelo – Resumo Semana 32

E a China, hein? Foi mais rápido que pensávamos, esta segunda-feira, 05 de agosto de ano de Nosso Senhor de MMXIX, soltou seu câmbio deixando ele se desvalorizar, o yuan para baixo. É uma tentativa para compensar o aumento de taxas americanos. A desvalorização do câmbio é como jogar um gato morto no quintal do vizinho, no caso, o gato morto é a deflação. Sua moeda se torna artificialmente mais barata e os outros países começam a importar mais dos seus produtos. Ou seja, o

O problema é que este é um jogo jogado a dois: Os outros países também desvalorizam suas moedas, como tantas vezes ocorreu na história. Também podem criar um peso morto sobre o país que desvaloriza, na forma de impostos de importação, exatamente como os EUA fizeram com a China. Neste caso é o pior dos mundos, porque a sua moeda barata encarece as suas importações, especialmente bens de capital, isto é, máquinas. Câmbio precisa ser como os intestinos, nunca presos, porém razoavelmente soltos e operando naturalmente. Outro problema é que ninguém mais vive numa economia mercantilista clássica em que você apenas exporta, importam-se vários insumos dos mais varias lugares, nenhum país e nenhuma cadeia de produção é uma ilha: Desvalorizar sua moeda é encarecer algo que você certamente precisa.

Bom, Dow Jones lá se foi quase 2% na ladeira, e isso em dólar é um bom dinheiro. Antigamente eu tinha uma regra empírica de que a Bovespa caia o dobro do Dow. Felizmente esta regra não funciona mais, e caímos também nossa cota de 2%.

Dificilmente eu vi um melhor ponto de compra. Melhor que isso só no Joesley Day. E foi um bom ponto de compra para ações americanas. Nem preciso dizer que o ouro arrebentou os 1450 e bateu o 1500 USD/onça. Em função da tensão, o dólar também subiu no Brasil.

Mas chegamos ao tema de hoje: O martelo. Esta linda figura de análise técnica que indica reversão de queda. A Bovespa na terça recuperou e na quarta deu um martelo lindo, continuando a subir quinta bem e sexta uma breve corrigida em candle de indecisão.

Semana de resultados é sempre uma semana complicada. Há ações subindo 10%, 30%, outras caindo outro tanto. A Fenomenologia dos Resultados explica: as pessoas reagem às expectativas de resultados, não aos resultados. Empresas boas que se esperava mais, caem. Empresas na pior em que se esperava realmente resultados ruins, sobem.

O calcanhar de Aquiles da Análise Fundamentalista é que justamente empresas queimando valor e por vezes patrimônio negativo, mesmo em Recuperação Judicial, ainda tenham valor em bolsa. Tecnicamente se a ação é um pedacinho do patrimônio líquido (ativos menos passivo, isto é, geradores de valor contra dívidas) e cumulada com expectativa de resultados futuros, uma empresa ruim deveria valer zero, ou melhor, deveria valer uma dívida. Mas não é o que vemos.

Inexoravelmente o fundamentalista vai se apegar a seu Preço/lucro e Valor Patrimonial/Preço e soltar perdigotos indignados contra quem ousar comprar empresas com estes resultados ruins. Mas a análise técnica seguindo o bom e velho pecunia non olet ri disto.

O infernal é que a análise fundamentalista está certa e mais cedo ou mais tarde, em ondas e voltas, a conta chega: Assim está a China, porcaria de China, dragão de papel liderada por um partido comunista homicida, que mata sua população de trabalho mau pago, e que a única contribuição para a humanidade é uma invasiva e distópica tecnologia de reconhecimento facial, além de lançar seus tentáculos na América Latina; um belo dia a verdade virá a tona, se é que não está vindo.

Porém uma economia fortemente manipulada, e presa pelos bolsos com todo o mundo, não tem dignidade nem de se arrebentar. Acreditamos no fim da China, mas apostar na sua debaclè é tolice, quebraremos antes da China. Então ficamos nessa ficção econômica, com nossos investimentos presos e dependentes dos homicidas de Pequim.

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