Guerra cambial existe? – Resumo semana 31

guerra cambial existe

As principais notícias desta semana se concentraram nos cortes de juros pelo mundo, inclusive aqui no Brasil e a guerra cambial/comercial sino-americana.

Na semana:
Ibovespa: 102.673 pontos, -0,14%.
Dólar: R$3,89, +3,03%

Primeiramente o cenário nacional será analisado. Para isso, informaremos que muito dos nossos acertos em nossas análises vem do fato de saber diferenciar os tipos de discurso. Sabemos perfeitamente a diferença de uma fala que conta uma história, ou seja, apenas descreve os fatos ocorridos, de um discurso que tende a fazer julgamento de valor sobre alguma coisa ou pessoa. Desta forma, ficamos a frente da OAB e da grande maioria dos jornalistas brasileiros.

Corte de Juros no Brasil

O fato é que o presidente sempre foi forte no discurso. Por isso, elegeu-se. Contudo, sem poder criticá-lo por corrupção ou má gerencia qualquer frase gera polêmica se estiver fora da cartilha da extrema-imprensa.

O que isso tem a ver com economia? Segue o tweet do ótimo jornalista Augusto Nunes para explicar:

Aqui é onde o mundo da política e economia se chocam. A guerra de narrativas.

No meio do turbilhão de ataques à operação Lava Jato, seja pelo STF ou pelos pretensos jornalistas, o Banco Central do Brasil cortou os juros para o menor nível da história. Fico imaginando como seria a manchete se fosse o ídolo deles que está preso em Curitiba.

A queda dos juros foram por motivos técnicos. Não por vontade política. Temos uma economia estagnada. A produção industrial caiu 1,6% no primeiro semestre. Concomitante, a inflação subjacente – aquela que retira os efeitos sazonais da conta, por exemplo, o tomate que sobe quando é comercializado fora da época de plantio – está baixa. De fato, não poderia ser diferente; o consumidor tem receio pelo seu futuro, não gasta, as empresas não produzem, a economia não cresce.

Além disso, o cenário externo favorece. Favorecer não seria o termo certo, mas para o Brasil serve. Pois, as expectativas de corte de juros nos Estados Unidos cresceram. Enquanto na Europa, Japão, Austrália é mantido os juros baixos e até Hong Kong cortou os juros. O que não acontecia desde 2008.

As consequências por aqui pode ser aquecimento do mercado de ações. Pessoas migrando para a bolsa de valores. Caso confirmadas as reformas da previdência e tributária, teríamos um verdadeiro bull market (alta generalizada das ações) no Brasil. O otimismo me deixa dizer: como nunca antes na história deste país.

Guerra cambial existe?

Origami con billetes estrella | Tanque de dólares. Origami ...

O já citado aqui, Jim Rickards, tem um livro que falar somente sobre a guerra cambial e como ela é disputada pelos países. Principalmente pelo eixo Estados Unidos da América x Rússia-China. Levantaremos alguns fatos para tentar entender se a guerra cambial existe.

Temos, portanto, que analisar as ações das principais economias mundiais, por ordem: Japão, Zona do Euro, China e EUA. Pretendemos com isso anexar mais um componente na disputa entre EUA e China. A saber, os outros já abordados foram: segurança nacional, guerra comercial e tecnologia.

Japão e Zona do Euro

O Japão vem sofrendo há anos no lado econômico, as questões demográficas impactam o país desde os tempos que o PT era símbolo da moral e ética na política. Na Europa pós sub prime as economias vão se arrastando e os governos fazem malabarismos para mantê-las de pé.

De fato, Japão e Zona do Euro vivem situações análogas. Mas não por isso deixam de impactar o mercado cambial quando lançam programas de compras de ativos para dar liquidez ao mercado e mantém juros baixos, senão, negativos.

Há rumores no mercados que o Banco UBS poderia começar a ofertar juros negativos aos correntistas. Em outras palavras, você pagaria um percentual do seu dinheiro para deixá-lo na instituição.

China e Estados Unidos

O impacto desta medidas é a desvalorização de suas moedas, o que os deixa mais competitivos no mercado internacional. A China, claro, não ficaria atrás, como uma economia basicamente exportadora, sempre manipulou sua taxa cambial para que ficasse sempre abaixo do que realmente poderia valer sua moeda a fim de beneficiar-se no comércio internacional.

Quem pouca jogava neste terreno era os Estados Unidos. Mesmo que jogasse, entrava sempre perdendo. Esta política mudou com Donald Trump. Ele pressionou as importações chinesas com impostos e o Banco Central americano com falas contrárias a subida dos juros.

Embora todos os indicadores da economia americana estejam apontando para uma economia forte. Por exemplo, desemprego mais baixo dos últimos 50 anos, criação de empregos atingindo as expectativas de mercado e a inflação dos salários superando as estimativas, Trump e sua equipe olham mais adiante. Por isso, querem o corte de juros.

Nós até concordamos com o presidente do Federal Reserve de Boston que declarou que pelos motivos acima citados a economia não precisaria de corte nos juros neste momento. Entretanto, a guerra cambial existe e está em curso. Logo, é um caso de sobrevivência.

Guerra cambial x Guerra comercial

A despeito de todos os países no mundo estarem desvalorizando suas moedas. O confronto EUA e China é o que mais chama a atenção. Exatamente por serem as duas maiores economias do mundo.

Tanto que após de desencadeados os primeiros capítulos da guerra comercial o que importa no mundo é o desfecho do acordo entre as duas potências. Este que estava acertado e, pior, estava contemplando todas as exigências chinesas, inclusive aliviando a situação para a empresa Hauwei.

No entanto, o presidente dos Estados Unidos revelou em seu twitter, não só o recuo da China após o fechamento do acordo, mas também que o governo chinês parou de exportar um remédio que é usado para tratar pessoas com dores intensas, o fentanil.

Com esta demora e clara evidência de que o governo chinês apenas quer ganhar tempo. Donaldo Trump anunciou que vai aumentar as taxas dos produtos chineses. Serão 300 bilhões de dólares em importações do país asiático que sofreram um aumento de 10% nos impostos.

Má notícia para a China que continua tentando se pintar de boazinha nesta história. Assim, o novo embaixador chinês nos Estados Unidos declarou: “A posição da China é muito clara, se os EUA querem conversar, então nós conversaremos, se eles querem lutar, então nós lutaremos.” Isto nada mais é que a velha guerra de narrativas ou o “acuse-os do que você faz”.

Deste modo, o resultado que teremos com o aumento das tarifas é um desvio do comércio nos EUA e piora econômica na China. Olhando só para o câmbio, seria como se o yuan chinês fosse valorizado.

Palavra do especialista

Jim Rickards é especialista em disputas financeiras. Em seu livro A Grande Queda, ele afirma que existe uma guerra cambial desde 2010.

“[o declínio do dólar] acelerou-se em 2010, com o
início de uma nova guerra cambial. Esse declínio está sendo ampliado pela emergência da China como uma grande nação credora e potência em ouro. Sem falar das ações de uma nova aliança
antidólar, constituída pelos Brics, Irã, entre outros.”

Ele também explica as maneiras de se proteger nestes momentos que costumam demorar mais do que 5 anos. Isto abordaremos em outros resumos. Porém, já demos as primeiras dicas para resguardar seu dinheiro. Investir em ouro e apostar na bolsa brasileira.

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