Fenomenologia dos Resultados – Resumo semana 30

O mercado financeiro, no Brasil e na América, se viu no alto, olhou para baixo, sentiu tonturas e começou a fraquejar. Semana de resultados nas empresas.

O jogos dos resultados das empresas é muito interessante. Eles são totalmente baseados em expectativas. Um jogo bacana a ser jogado é subestimar a expectativa, e feito por vários: a expectativa divulgada é sempre a menor do real, os números vem acima da expectativa, as ações sobem e todos lucram.

O pior é que ocorre com as grandes empresas que voam em céus de brigadeiro, os bancos brasileiros por exemplo. Não importa muito quantos bilhões Bradesco e Itaú lucram, suas ações caem nos resultados, mesmo sendo bons. Porque a expectativa para eles sempre é alta. Lembram no início do ano quando Apple caiu 10% porque faturou 2 bilhões a menos? E seu faturamente não é 20 bilhões, é 58 bilhões no trimestral. Num mundo justo, queda de 3%, não 10%… mas ai vem as tais expectativas…

Bradesco BBDC4, mais uma vitimas das expectativas

Já empresas em Recuperação Judicial como OI e Inepar, virtualmente na UTI, acumulando patrimônio líquido negativo, dão grandes saltos porque vão bem no adimplemento de seus credores: é como você estar entubado em risco de vida e melhorar tirando os tubos, mas ainda na UTI em risco de vida. As ações sobem.

Chegamos na armadilha kantiana da Bolsa: não importa a realidade da empresa, importam as expectativas, importa o que o mercado vê. Ah, Kant, saia dai! Uma empresa muito ruim que vá apenas ruim tem rally na Bolsa. Uma empresa muito boa que vá apenas moderadamente boa tem uma queda danada.

E os insiders, aqueles que realmente sabem os números? Ai é totalmente diferente o jogo, e poderia dar páginas e páginas, inclusive com casos históricos. Melhor ainda que ser insider é ser das consultorias e das páginas de finanças, que podem manipular as expectativas. Quantos de nós realmente leram os relatórios ou apenas ouviram que as expectativas eram tais e tais? Os insiders são passivos, eles sabem o número e reagem ao que o mercado reagirá. Mas quem cria as expectativas transforma água em vinho e vinho em urina se quiserem. Lucrou um bilhão? Que pena, a expectativa era um bilhão e cem milhões, a ação cai. Deu prejuízo de meio milhão? Jóia, a expectativa era prejuizo de um milhão, ação sobe.

Finalmente temos a Rainhas das manipuladoras de números, a China. Mas por ser manipulação de números macroeconômicos, pouco há que se fazer, senão duvidar e seguir a correnteza até cairmos no abismo. Eta China!

Bovespa ligeramente perdendo o fõlego por falta de notícias, após a aprovação em primeiro turno na Câmara da Reforma da Previdência. Quem comprou no fundo, a 90.000, quando a mídia fazia campanha para um impeachment sem pé nem cabeça de Bolsonaro por suposta impopularidade com o Centrão, ainda está com mais de 10% de lucro.

O câmbio é o mais arisco às notícias, mas tem estado estável. O dólar vai aguardando a vinda do recesso do Congresso e a continuação das reformas. Geopoliticamente, a guerra com o Irã não foi.

A Bolsa americana, também em semana de resultados, anda de lado, mas mantendo o suporte no Dow Jones de 27.000 pontos. A economia americana vai bem, porém a corrida presidencial lá já está na rua, então mesmo que as coisas deslanchem, jamais há que se dar crédito ao presidente Trump e suas vitórias sobre a China. Notícias alvissareiras no Reino Unido, entretanto, com a eleição de um primeiro-ministro conservador.

O ouro anda de lado, mas perdendo o fôlego devagarinho. Ouro alto não condiz com mundo tranquilo. Entretanto para os fãs de ouro metálico como reserva real de valor, um caveat ocorreu esta semana: o roubo de mais de setecentos quilos de ouro metálico sendo transportado no Aeroporto de Guarulhos, que tinha como destino Nova Iorque e Zurique. Roubo este inclusive com sequestro de familiares de funcionários da empresa de segurança.

E ai, vai guardar ouro em casa? Ou vai se conformar com ouro-papel, suscetível à arresto dos governos em crise? O problema do ouro é este, alguém sempre te rouba, ou criminosos ou o governo.

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