Qual é a realidade da China? parte 2 – Resumo Semana 29

China

Enquanto os nossos deputados acham que podem tirar férias no meio de uma votação tão primordial para o futuro do país, nós falaremos da China. Traremos não só os aspectos econômicos, mas também os sociais, tentando, assim, chegar próximo da realidade da China.

Na semana:
Ibovespa: 104,169.69 pontos, +0,69%.
Dólar: R$3,74, -0,23%

Com o recesso no Congresso, o Ibovespa pouco se movimentou. A expectativa do mercado gira em torno das vendas das subsidiárias das empresas controladas pelo governo federal.

A guerra comercial entre Estados Unidos e China é o assunto da geopolítica mundial. Reforçamos que não se trata de uma simples disputa econômica e, sim, de um país que defende a liberdade frente outro que quer impor seu regime ao mundo inteiro.

Como vive o povo na China

Entender como vive o povo na China é essencial para entendermos o que pode acontecer na sua economia. Podemos pegar o nosso país como exemplo, enquanto a economia do Brasil dava seus primeiros sinais de desgaste, tanto nossa ex-presidente quanto seu ministro da Fazenda diziam que a culpa era da tal crise mundial. Assim, com esse discurso fora da realidade, eles incentivavam o crédito. Porém, como as famílias já estavam muito endividadas, apenas viam seu poder de compra diminuir, não demorou muito para a inflação subir e entrarmos na maior crise que o Brasil já viveu.

Na China a realidade também é ignorada. E pior, não só no aspecto econômico. Lá o povo não usufrui da liberdade dos países democráticos. O Partido Comunista Chinês tenta ser onipresente e onisciente. Prova disso é que até 2020 o país terá mais de 626 milhões de câmeras com reconhecimento facial – tecnologia de ponta, pois reconhecer a diferença entre dois chineses não é para qualquer um.

Estas câmeras não servem para identificar assassinos ou prender ladrões. Elas são instaladas para vigiar o próprio povo chinês. Desta forma, foi criado um centro de informações que pontua os cidadãos a fim de restringir o acesso dos que não são considerados “cidadãos exemplo” a itens básicos. Por isso, qualquer atividade não usual bloqueia acesso a empréstimos, escolas de melhor qualidade para os filhos e compras de passagens aéreas, por exemplo.

A liberdade de imprensa segue o mesmo modelo, o modelo comunista. A China ocupa a posição 177 de 180 países neste quesito. Além de ter no mínimo 47 jornalistas presos de acordo com o Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ).

Não obstante, o controle da internet é ditatorial. Desde 2015, Google, Facebook, Twitter, Instagram e muitos outros sites estão bloqueados. Ademais, até termos que fazem referência aos protestos pró-democracia que houveram no país também foram bloqueados.

Hoje, a realidade da China é o sonho que Stalin, Lênin e Mao tinham.

Campos de concentração

Em um bom regime comunista não pode faltar os campos de concentração. Os Gulags chineses são chamados de Centros de Reeducação. A etnia mais perseguida são os Uighurs, povo de descendência muçulmana que vive a oeste do país, na província de Xinjiang.

Os números apontam para mais de 1 milhão de pessoas presas. Acusação é serem muçulmanos. Nas prisões sofrem maus tratos, são forçados a beber bebidas alcoólicas e comer carne de porco. Até crematórios foram construídos para extinguir a tradição dos funerais daquele povo.

Embora os adultos sejam maioria, existem campos de “reeducação” para crianças. Elas são órfãos ou foram separadas dos pais. Estes jovens passam por uma lavagem cerebral com o objetivo de reeducá-los sob os cânones comunistas.

Estes são alguns exemplos das atrocidades que acontecem na China. Falaremos em outro momento das crianças que são deixados para morrer de fome e do tráfico de órgãos. Desta forma, até aqui trouxemos a realidade social da China. Perseguição, mortes, controle e poder concentrados no Partido Comunista. Agora, vamos para os dados da economia.

A segunda maior economia do mundo?

Nos países os quais o comunismo era o regime político reinante, os dados oficiais sempre eram não correspondiam com a verdade. Com a China não é diferente.

Em março de 2019, um estudo revelou que os dados de crescimento e investimento na China a partir de 2008 eram menores do que os órgãos oficiais do governo afirmavam ser. O estudo aconteceu em três etapas.

Primeiro, os pesquisadores somaram os PIB das províncias para ver se condiziam com o PIB nacional, frequentemente o resultado excedia este último. Segundo, compararam a soma do consumo, investimento e exportações com os dados nacionais. Apesar de encontrarem pouca diferença entre o consumo local e nacional, quando observaram os resultados dos investimentos e exportações, a discrepância apareceu.

Terceiro, foram comparadas a soma dos valores adicionados por setor dos números locais e nacionais. Novamente, diferenças foram encontradas, e as principais foram no setor industrial. Este que é tido como sendo o motor econômico do país.

Por fim, os resultados encontrados foram: de 2008 até 2016 o crescimento anual da economia foi 1,7% menor do que o divulgado. Os investimentos em 2016 foram 7% menores do que os números oficiais e a taxa de poupança é 10% menor no período.

Os limites da realidade na China

Assim como o governo chinês negou a existência das prisões. Ele nega a maquiagem contábil – ou como diria nosso saudoso ministro da Fazenda, Guido Mantega, a contabilidade criativa. É exatamente neste ponto onde se encontram a realidade dos “centros de reeducação” com a economia da China.

O que impediria um governo que prende o seu povo, persegue jornalistas, controla a internet, rouba informações de alterar alguns números para ganhar vantagens comerciais? Até que ponto podemos acreditar nos números do PIB chinês divulgados? Alguns analistas dizem que a economia da China está se transformando. Passando de um país exportador para consumidor, principalmente, impulsionado pelo consumo interno de sua classe média.

Contudo, os dados do endividamento das famílias vão contra este pensamento. As dívidas das famílias atingiram o equivalente a 54% do PIB, enquanto a dívida total – governo, empresas, famílias e setor financeiro – passa de 300% do PIB, segundo o Instituto Internacional de Finanças.

As medidas que o governo chinês tem tomado para tentar incentivar o crescimento são a liberação de mais empréstimos. Com este nível de endividamento não seria surpreendente que estas medidas não surtam o efeito esperado pelos reguladores. Não obstante, os números apontam para o baixo potencial de consumo das famílias, endividadas, tendem a restringir suas compras.

Acontecerá um colapso?

De fato, os acontecimentos evidenciam que as coisas no país asiático não vão tão bem. O que sabemos é que não é comum ver um governo comunista negociando. Pois, não vimos os comunistas chineses negociando no Tibete e, mais recentemente, em Hong Kong.

Além disso, as proibições comerciais recentes feitas por Donald Trump às empresas de tecnologia americanas podem, no médio prazo, diminuir o crescimento da produtividade da indústria chinesa. Esta, talvez, seja a grande cartada nesta disputa.

Portanto, podemos ter é uma nova guerra fria. De um lado China, Rússia, Coréia do Norte, Cuba, Venezuela. Do outro, Estados Unidos e seus aliados. Diante disto, a melhor maneira de se proteger é investir em ativos físicos, por exemplo, o ouro, como foi recomendado por um analista do Deustche Bank.

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