Os mercados e o perigo Hamilton Mourão

Hamilton Mourão mercadoTraidor

Ninguém ouviu falar do General Hamilton Mourão. Jamais lutou uma guerra, sequer uma batalha. Carreira absolutamente medíocre, vivida na burocracia das Forças Armadas em tempos de paz externa (a despeito da guerra interna da violência que mata 60.000 brasileiros por ano). Se Hamilton Mourão tem algum feito intelectual, como nas letras também brilharam os militares Júlio César e Euclides da Cunha, está bem oculto. Jamais se ouviu dizer que Hamilton Mourão defendeu a memória das Forças Armadas tão achincalhadas pelo regime de 1964. Não se chamou por Hamilton Mourão nos movimentos de impeachment. Dizem que ele fala inglês, but who doesn´t?

Como ele chegou lá?

Eleitoralmente jamais nada tentou, e, ilustre desconhecido, certamente teria dificuldades de se eleger vereador, se até mesmo generais da reserva atuantes na política, como Paulo Chagas, não conseguem se eleger.

Entretanto, içado pela amizade com Jair Bolsonaro a seu vice-presidente, depois que os hábeis príncipe D. Luiz Philippe e a professora Janaína Paschoal, por seus motivos, desistiram de compor a chapa, tornou-se figura nacional. A lógica parecia impecável, um general linha-dura faria a oposição temer um impeachment de Bolsonaro.

Já candidato e agora vice-presidente demonstra ser uma figura divisiva e perigosa. Desde a campanha, e intensificado depois da posse, Hamilton Mourão dedica-se a desdizer o presidente Bolsonaro e desmentir a plataforma conservadora ideológica que o elegeu. Tornou-se vedete da imprensa contra Bolsonaro e é coberto de glória e respeito pelos opositores. Nunca antes um vice se cobre tanto de ambições por derrubar seu predecessor. Isso com cem dias de governo! Nem mesmo João Goulart, Itamar Franco ou Michel Temer, com suas perpectivas reais de poder se mostraram tão desleais e cobiçosos do cargo.

O que os intelectuais dizem?

A vanguarda intelectual do governo, que é Olavo de Carvalho, alerta continuamente sobre as investidas conspiratórias de Mourão. Agora, o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, verdadeiro escudo-humano do pai, lealdade canina e filial digna de todos os elogios, alerta a nação sobre o comportamento iscariótico de Mourão. Do partido de Levy Fidélix, político absolutamente picaresco da verve de Tiririca e Alexandre Frota, cujo único tema é se candidatar sucessivamente a presidente monomaníaco prometendo um aerotrem, além de responder a um inutilíssimo processo judicial por dizer que (SIC) “órgão excretor não reproduz”, já reúnem ambos – assim diz jornal o Globo, que pode ser acusado de tudo, menos simpatia com Bolsonaro – cem deputados para um impeachment de Bolsonaro e ascensão do Vice à presidência.

A eleição de Jair Bolsonaro e, consequentemente, Paulo Guedes, levou a Bolsa brasileira de 40.000 a 100.000 pontos. A vitoriosa aliança liberal-conservadora é ameaçada pelos militares e seus acenos à Esquerda e ao Centrão. A saída de Bolsonaro é a saída de Paulo Guedes, e também de Sérgio Moro. Se Mourão é tão bem articulado assim, a velha política de loteamento da Administração com o Congresso retorna. Um governo Mourão seria embasado apenas no Centrão e na social-democracia: a esquerda que o sustentou até um impeachment de Bolsonaro vai prosseguir oposição e lutar ativamente pelas próximas eleições.

O mercado brasileiro com Hamilton Mourão

Basicamente, um governo Hamilton Mourão seria um governo Dilma III, com retorno ao famigerado desenvolvimentismo e reservas de mercado, além de intervenção positivista na economia. Certamente Paulo Guedes, Marcos Cintra, Sérgio Moro, Ernesto Araújo, Damaris Silva e outros grandes nomes do arco liberal-conservador não prosseguirão em seus cargos. Os mercados vão precificar. Nesta terra arrasada, esqueçam Reforma da Previdência.

As Forças Armadas brasileiras já demonstraram duas vezes a sua obtusidade política e deslealdade funcional, e o Brasil paga terrivelmente o preço. A primeira vez ao derrubar D. Pedro II e instaurar a República num golpe militar. A segunda ao derrubar a oposição civil no Congresso que impedira João Goulart e instaurando o Regime Militar de 1964. A História não mente, os resultados em ambos casos foram catastróficos. Serão os militares de novo capazes de podar o desenvolvimento orgânico da política nacional com seu positivismo?

Caso se intensifiquem os movimentos de Hamilton Mourão por derrubar o presidente, o brasileiro deve se preparar para o pior. Reservas em dólar e ouro, inclusive físico, posições vendidas em Bolsa brasileira. Carteira de puts e collars em derivativos. Movimentos de diversificação em bolsa americana. Títulos indexados à inflação. Imóveis como preparação à desvalorização monetária de um governo inflacionário desenvolvimentista. E, naturalmente, o retorno a um governo de esquerda aliado ao Foro de São Paulo nas próximas eleições. Se há algo que a História ensina, especialmente 1964-1985, é que os militares tecnocratas contra a guerra política multinível e cultural movida pela esquerda têm a mesma resistência de uma minhoca contra um coturno.

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