Uma semana pouco santa – resumo semana 16

Semana curta nos mercados brasileiros em função da Sexta-Feira Santa e a Páscoa. A Bolsa veio se recuperando do exagero na última sexta com a suposta intervenção na Petrobrás para tomar um tombo na quarta com mais uma atabalhoada sessão na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Quinta-feira, uma entrevista de Paulo Guedes voltou a reanimar os mercados, inclusive por ele ter dito que havia uma estatal secreta que Bolsonaro decidira privatizar.

Ibovespa


Esta semana o dólar foi para cima e a Bolsa de lado. Como sempre, sua majestade, a política mexeu em tudo. Até que o mercado americano não foi mal, não. Vieram boas notícias até da China. Mas aqui no Brasil é a reforma da previdência deixando o mercado ligado nos 440V. Francamente estou ficando enjoado do Mercado Brasileiro de ações. Basta qualquer coisa no Congresso – e onde mais tem rolo senão no Congresso do Brasil? – que vira um barata-voa na Bolsa que apenas mostra o quão pouco consolidado e amador é nosso espírito de investidor. Se os investidores gostam de sofrimento sugiro meditarem uma Via-Sacra da Paixão de Cristo. Pelo menos se tornariam pessoas melhores.

Ouro e Dólar

ETF de Ouro

O dólar teve a maior alta semanal em um mês, subindo nada poucos 1%. O ouro deu uma recuada. Mas no Brasil mal se sente, como nosso preço é também função do dólar, lá foi uma coisa anulando outra. Isto é muito ruim.

Dólar X Real

Petróleo e Petrobrás

A tentativa de aumentar o preço do diesel em quase 5% foi suspensa por Bolsonaro. O mercado e os liberais, inclusive os detratores do governo, vestiram a camisa liberal e passaram – pasme! – a defender o direito de uma monopolista definir seu preço. Tem besteiras que só no Brasil vingam.

Bolsonaro fez corretamente. Haver uma greve dos caminhoneiros seria bem pior do que uma eventual correção da Petrobrás, que abriu um belo ponto de entrada.

Parece que começa a cair a ficha no presidente de que a Petrobrás precisa ser privatizada (Seria esta a estatal secreta de Guedes? Estão nos deixando sonhar!). Uma analogia cabe aqui: Imagine você pegando seu pobre celular e ligando o carregador na linha de transmissão 13.000V? No mínimo, o carregador explode. Eventualmente, você explode. Pois isso que o governo tem nas mãos com a Petrobrás: Há uma empresa pública que é um vaso comunicante dos preços externo do petróleo com o mercado interno, que é a analogia de ligar o celular na rede de distribuição alta tensão. O mercado externo tem bolsos profundos, o interno tem seus caminhoneiros na lona com seus Scanias velhos e estradas esburacados. É a receita da explosão.

E quanto ao mercado externo, as notícias são das mais interessantes, a Arábia quer porque quer forçar a OPEP a cortar a produção e subir os preços. Mas a Rússia, que não é OPEP, precisa fazer dinheiro com seu óleo, e não está muito disposta a cortar sua produção. Com o agravante que petróleo caro favorece o óleo de xisto americano. Ou seja, quando a Rússia disser chega a alta do barril pára.

E no meio disso tudo, a guerra dos bolsos profundos árabes, americanos e russos, temos Petrobrás e Bolso… naro. O governo do Brasil não deveria ter esta bomba nas mãos. Não arrisco mais prognósticos.

Cielo no Horto das Oliveiras

Cielo indo para o Inferno

O anúncio de que Itau iria antecipar recebíveis em suas maquininhas fez as ações da Cielo cairem quase 8% na Quinta-Feira Santa. Curioso é que a volatilidade das puts não aumentou. Quem será doido de vender puts quando o todo-poderoso Itaú decide devorar a Cielo? Stone, Pagseguro, CSU e Linx sofreram também.

A cruz das Siderúrgicas e da Avianca

Usiminas e CSN também caíram do alto trono em que estavam, e amargam sucessivos dias de queda. Mas aqui e ali uma notícia da China pode virar tudo.

Usiminas e a queda inclemente

A novela jurídica da Avianca prosssegue. Com o interesse da Gol e (La)Tam nas compras da Azul, o leilão original foi desfeito e um novo marcado. Os credores aprovaram o plano de recuperação mas – jaboticabas multi-jurisprudenciais – aviões são penhorados em execuções cíveis e passageiros embarcados evacuados. O mais engraçado é ver Gol e Azul disparando a despeito do preço do petróleo, seu principal insumo, nas alturas… Como disse o grande Gerald Loeb, o mercado é muito frívolo e irracional para oferecer qualquer segurança.

Vale sem medo de passivos ambientais

Em compensação, Vale faz tempo fechou o GAP do acidente de Brumadinho. Pois é, a empresa tem um passivo ambiental e jurídico difícil de apurar, trocou a direção toda, está nas mãos do periclitante mercado chinês mas o mercado não dá um desconto… Ah, mercado!

Via-crucis política

Tem que falar de política, porque o mercado escolheu ignorar os fundamentos e ficar só na clave política. Guerra EUA-China? Esquecida. Brexit? Esquecido. Ataques terroristas em Paris? Esquecido. OPEP cortando produção? Esquecido. China em recessão ou reaquecendo? Esquecido. Política que querem, política terão:

Não falarei dos embates entre o STF e a Imprensa, notadamente o site Antagonista. Trata-se de duas cabeças da mesma Hidra posivista em momentânea tensão dialética, isto é, mordendo-se. O Antagonista alienou-se de sua base de leitores conservadores e agora grita sozinho contra a injustiça que sofreu nas mãos do STF, notadamente seu presidente Dias Toffoli. Como ironia abertamente mordaz, sugiro que contratem o defenestrado ex-secretário de governo Gustavo Bebianno como seu advogado, já que tinham um relacionamento tão próximo. Em tempo, a compra da Editora Abril, em Recuperação Judicial, se efetivou.

O tal general

O Deputado Marco Feliciano protocolou na Câmara um pedido de impeachment do Vice-Presidente General Mourão, devido aos seus constantes flertes com os setores inimigos do governo e absoluta infidelidade à plataforma conservadora com que esta gestão fora eleita. Vejo de maneira positiva. A sinofilia dos dos senerais Mourão e Santos Cruz é um perigo até mesmo geopolítico ao Brasil. Não vai prosperar, mas é um aviso para o Vice-Presidente se emendar. Este negócio de deixar que uns sejam crucificados lavando as mãos nunca termina bem.

No Senado, seu presidente, Davi Alcolumbre, prossegue desviando-se de aceitar pedidos de impeachment dos ministros do Supremo e a CPI da Lava-Toga. Não vou atirar pedras nele, realmente mexer com o Supremo é um leito de Procusto. Nossos congressistas temem o Sinédrio do Supremo Tribunal mais que os cortes de verbas do Executivo.

No Congresso como um todo, os líderes do governo, Delegado Waldir e Major Olímpio continuam liderando com a sutileza de quem usa picaretas para tratar de bonsais. Um major e um delegado devem ser ótimos para enquadrar nóias, mas não deputados. O Delegado Waldir deu agora para culpar o pobre Olavo de Carvalho, que, na distante Virgília, trata de dar seus cursos de Louis Lavelle e defender-se no Facebook das calúnias da imprensa. Não saber diferenciar quem são seus inimigos e aliados é o retrato mais patente da incompetência e obtusidade. Aguardo ansiosamente o momento que o sr. delegado Waldir culpe Aristóteles e Kant, se julga que um septagenário professor de filosofia sem cargo algum senão seu prestígio intelectual junto ao povo é o inimigo público número um.

A oposição consegue em chicanas e palhaçadas tudo atrapalhar. E tem sido bem efetivas. Nesta quarta a paralisação da Comissão de Constituição e Justiça derrubou o Ibovespa em quase 2%. Se o Delegado Waldir precisa saber contra quem lutar, vai aqui uma sugestão despretensiosa… ou dirão que as oposicionistas Érica Kokay e Maria do Rosário têm mais talento além de gritarias de DCE de faculdade? Que a oposição alopre não me impressiona. O que me impressiona é que tem gente com dinheiro pesado na Bolsa que acha que a Reforma da Previdência não teria estas dificuldades.

Via sacra de Bolsonaro

A imprensa, que para Bolsonaro e grita “Crucifica! Crucifica!“, só falta se colocar no meio das estradas como barreira humana em sua torcida nada oculta por uma greve de caminhoneiros, inclusive prognosticando datas, até porque um amento do diesel foi permitido. Na vida real, os caminhoneiros prosseguem viajando. De maneira análoga pontificam a renúncia de Paulo Guedes a cada semana, como São Pedro fugindo do Horto das Oliveiras. E faltando assunto, basta cacetarem Olavo de Carvalho, velho desafeto de redação, mais linchado publicamente que Judas em sábado de Aleluia. No mercado quem segue manchetes e ignora fundamentos perde dinheiro. Como disse o General Heleno, a imprensa cobra o governo como se estivesse há três mandados, não cem dias. E tome notícias anunciando o colapso da República todo dia. Não é a toa que os meios de comunicação andam quase todos pré-falimentares. Quando o ativismo toma o lugar dos fatos, perde a razão de ser. Ser vitimado pelo jusnaturalismo do STF é apenas uma consequência indesejada de suas idéias.

NotreDame de Deus, NotreDame dos Homens

NotreDame de Deus

É necessário falar da comoção universal com o incêndio da Catedral de Notre-Dame de Paris esta semana. Por mim, abandonava as finanças e me dedicaria a explicar o lindo simbolismo da arquitetura gótica, mas há que se falar com brevidade. Ora, vocês sabem como estes subscritores são sensíveis à tragédias em catedrais. O governo francês, acuado pelos jaquetas amarelas, respira aliviado a trégua causada pela comoção pública. Mas não é amor pelo patrimônio cultural e espiritual da França Cristã: Se depender da ideologia dos atuais líderes da União Européia, as igrejas podem queimar e serem trocadas por boates ou mesquitas. Se permitem uma esperança, NotreDame resistiu às chamas no teto por ter bons fundamentos. Compre ações que sejam como catedrais medievais, bons fundamentos!

NotreDame que não é de Deus

Obviamente, estou me referindo à NotreDame catedral mesmo. Sem nenhuma sugestão de NotreDame Intermédica (GNDI3), que oscila em um suporte, em dúvidas se, ao contrário da catedral, resistirá ao colapso. Qualicorp (QUAL3) não teve a mesma sorte no vôo de galinha de sua alta. Depois que a corcunda moral da ANS mexeu nas regras dos planos executivos empresariais, empresas de saúde estão muito periclitantes.

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