A Congestão – Resumo semana 8

Longo prazo

O mercado andou de lado na famosa congestão. Nenhum dia com volume notável, teve seus tombos de escorregador e suas subidas de escada. O Ibovespa está lá preso entre 98 e 96 mil. E se ampliar, fica preso entre 98300 e 94000. As estratégia é simples, espere-se o rompimento dos grandes suportes e resistências e segue-se a onda.

Vendam-se opções, não é mesmo? Volatilidade sem movimentação de preço é para isso. Vendam puts das suas bluechips favoritas num preço em que se compraria. No semanal, tivemos aquela famosa configuração Doji Star. Mas a cauda para baixo é indicativo de mercado de alta mesmo. Que ocorre é que os prudentes embolsam os lucros e novos se reposicionam. Essencialmente está correto, há vários peixes no mar e as ações sobem em velocidades diferentes. Algumas já dão sinais de esgotamento.

O governo esta semana apresentou ao Congresso a proposta da reforma da previdência e não foi suficiente para quebrar a congestão. Naquele dia a Bolsa caiu. Dez em dez artigos dizem “Sobe no boato, desce no fato“. Coloque ai onze, eu também digo “Sobe no boato, desce no fato“. É verdadeiro e rima.

No fronte político tivemos a demissão de um ministro que, acusado de divulgar conversas privadas com o presidente para a imprensa, para se defender divulgou as suas conversas privadas com o presidente. (A grande dúvida era se escreviam seu nome com dois “b”s ou dois “n”s… Acho que é com “n”), mas a imprensa fez um escândalo. O mercado deu de ombros. Quanto às demais ações, a Vale só teve más notícias esta semana, a despeito disto subiu com gosto nas ultimas duas semanas. Itaú subiu muito com seus resultados. Magazine Luíza deu uma bela estilingada sexta e a Recuperação Judicial do momento, Avianca Linhas Aéreas, chegou a um impasse com os grandes credores de leasing em que o Tribunal de Justiça deu à Anac o voto de Salomão: ou se atende à Avianca, ou se deixa os credores tomarem aeronaves e motores, o que equivale a dividir a criança ao meio, com sua consequente morte. Seria motivo para a Gol celebrar, se a Gol estivesse bem financeiramente. Caveat emptor!!!

Tourada na NYSE

O mercado americano está em bonança. É uma alta bonita de se ver. O mais curioso é que o ouro está em alta e alguns índices de atividade econômica vieram ruins. Mas nada estraga o bom humor com as negociações entre China e EUA prosseguindo (até a Bolsa de Xangai está bonita). Realmente nenhum país vai investir no apocalipse comercial, e as conversas prosseguem. Os chineses negociam até a mãe (de preferência a sua), e Donald Trump é um negociante nato.

Mas não deixam de haver pessimistas indicando problemas com múltiplos e o desfazimento de posições vendidas. Como o mercado americano é mais desenvolvido há mais conversa franca sobre a venda descoberta, então se encontra quem advogue pela queda iminente do mercado. Caveat emptor again!!!

Conundrum do Petróleo

O preço do Petróleo ilustra muito bem esta conduta. O aumento de produção do óleo de xisto americano e a contínua substituição de combustíveis fósseis apenas tende a jogar o preço do petróleo para baixo. O pré-sal brasileiro ainda nem foi tocado com a unha, e mais cedo ou mais tarde a situação da Venezuela e Irã voltará ao normal, com sua produção em níveis adequados. O petróleo é para baixo. Caveat emptor ao cubo.

Mas ele está para cima, porque a Arábia Saudita quer que suba, e está cortando a produção em muito. Ou seja, petroleiras para cima. Petrobrás inclusive, que tem a seu favor a gestão proba do governo Bolsonaro.

Mas e o longo prazo?

A longo prazo a Bolsa sobe e o petróleo cai. Mas cuidado com esse negócio de longo prazo. A longo prazo todos estaremos mortos, como disse John Maynard Keynes. E antes disto estaremos velhos e doentes. A longo prazo o petróleo vai cair e as populações mais pobres terão combustível fóssil abundante e barato para se proteger das baixas temperaturas causadas pelo aquecimento global, que resfria aquecendo. A longo prazo a Bolsa subirá, porque a reforma da previdência é inevitável e sairá per fas et per nefas. A longo prazo, o Sol vai inchar e fritar a Terra, levando todos os ativos da Bolsa a valerem zero… ativos e derivativos virarão pó, mais precisamente pó calcinado… ou rocha sublimada no fogo da coroa solar em expansão…

A longo prazo, a queda virá. Há quem diga que toda prosperidade que a Civilização Ocidental viveu desde o século XIII é apenas a recuperação do mercado da Queda do Império Romano. Mostre-me um longo prazo suficientemente longo que justificarei tudo.

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