Os Estados Unidos entrarão em recessão?

Estados Unidos recessão

A tensão nos mercados financeiros nas últimas semanas é grande. O sentimento dos investidores é que os Estados Unidos entrarão em recessão no ano que vem. Mas será que isto é uma possibilidade real?

No artigo de ontem, analisei a situação econômica e comercial
da China tentando trazer uma visão distinta daquela que é vista nos principais meios de comunicação. Desta vez, analisarei a maior economia do mundo. A inspiração para estes dois artigos vem do livro A Grande Queda de James Rickards.

Assim, depois da crise do subprime os EUA passaram por alguns pacotes de estímulos chamados Quantative Easing, por meio dos quais os Federal Reserve comprava títulos no mercado para dar liquidez e, assim, estimular o crescimento econômico.

Mas o fato é que este programa nunca obteve os resultados esperados. A economia americana se recuperou em partes, mas nunca voltou a ser pujante. As indústrias continuavam sofrendo e o empregos eram perdidos. Estes não apareciam nos índices de desemprego por causa da metodologia utilizada e aqueles migravam para outros países como México ou China.

Por isso, o déficit da balança comercial americana continuou crescente vertiginosamente durante o governo Obama. Ademais, a economia parecia se arrastar e nada de concreto para mudar o quadro era feito pelo governo.

A subida de Trump ao poder mudou o quadro. Definitivamente. Ele implementou mudanças como: redução de impostos, redução de regulamentações e medidas de protecionismo para tentar equilibrar a balança comercial.

A última deu início a uma disputa comercial com a segunda maior economia do mundo. Então, o medo que esta guerra pudesse causar uma recessão nos Estados Unidos e no mundo jogou os índices acionários para baixo.

Estados Unidos: da depressão ao crescimento ou do crescimento à recessão?

No seu livro, James Rickards explica que os Estados Unidos viviam desde 2007 uma depressão, algo mais profundo do que uma recessão. Ele usa a definição de Keynes: “uma condição crônica de atividade subnormal por um período considerável, sem nenhuma tendência do mercado em direção à recuperação ou ao colapso completo”.

Para quem acompanhou a economia americana nestes últimos 10 anos sabe que foi exatamente isto que aconteceu. A economia não declinava nem decolava. Contudo, ficava abaixo de sua atividade normal, ou seja, o “subnormal” que Keynes menciona.

Rickards também afirma que o problema é estrutural e não monetário. Deste modo, apenas mudanças nas políticas regulatórias e fiscais fariam com que os EUA voltassem a ter uma economia de crescimento.

Mudanças do governo Trump para a volta do crescimento

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Trump ao assumir cumpriu com suas promessas. Ele cortou impostos, promoveu desregulamentações e tomou atitudes para proteger a indústria e empregos americanos. Segundo Rickards, era disto que a economia americana precisava para quebrar com o ciclo depressivo que estava.

Os resultados logo apareceram. Os EUA fecharão 2018 crescendo mais de 4%. A taxa de desemprego é a mais baixa dos últimos cinquenta anos. Na construção civil, os empregadores já têm dificuldades de encontrar mão-de-obra qualificada.

Segundo o Instituto de Política Econômica, depois que Trump aumentou as tarifas sobre o alumínio, a indústria do metal, que entre 2010 e 2017 fechou 18 de 23 empresas e 13 mil empregos de alto salários, criou mais de 2 mil empregos e os investimentos esperados na expansão da produção giram em torno de US$3,3 bilhões de dólares.

No entanto, as empresas que dependiam do comércio exterior sofrem. Por isso, fala-se em recessão.

A recessão econômica nos Estados Unidos vem em 2019?

Os temores alimentados pelas medidas protecionistas do governo americano atingiram antes o mercado. Os investidores ficaram aversos ao risco quando os primeiros comentários de que a economia dos Estados Unidos poderia entrar em recessão apareceram.

Nos últimos dias, o pessimismo em relação a economia é capturado por pesquisas de opinião. Em uma deles realizada pela NBC News/Wall Street Journal mostrou  que 33% dos americanos entrevistados esperam que a economia piorará no próximo ano. Enquanto os que acham que melhorará são 28%. Estes números comprovam que o pessimismo já é o mindstreaming do ambiante.

Os executivos americanos também pensam assim. Dos 134 que responderam uma pesquisa feita pelo New York Times aproximadamente metade disse esperar que a economia dos Estados Unidos entre em recessão no fim do mês.

Considerando que uma economia entra em recessão apenas quando cai por dois trimestres consecutivos, podemos considerar que se trata de muito pessimismo. Pois, ela só poderia acontecer no final do primeiro semestre do ano que vem.

Apesar disto, os números da economia americana continuam fortes. O que mudou é o sentimento do mercado a respeito do futuro da economia. Porém, a troca de percepção faz com que os investidores vejam com maior ceticismo e medo o futuro. Não podemos esquecer que a guerra comercial entre americanos e chineses lança mais incerteza no quadro. E, mais incerteza significa mais aversão ao risco. Por consequência, temos mais quedas nas bolsas.

Outro ponto que assusta o mercado, é não conseguir prever o modo que a disputa comercial vai atingir a China. E, saber se isto causará realmente uma recessão nos Estados Unidos.

Portanto, é impreterível estarmos atentos às tendências de curto prazo no mercado para proteger o patrimônio da volatilidade que é característico deste momentos de tensão.

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