Desprezo com o Céu – Resumo semana 50

Cadtedral Céu

Todo tom desta semana nos mercados foi dado pela recente queda do Dow Jones por conta do recrudescimento dos temores com a guerra comercial entre EUA e China. Por mais que falem sobre recessão, a virtual estabilidade dos preços do ouro, pelo momento, não credencia pânico. Contudo, foram por água a baixo as esperanças de um rally de Natal, especialmente no pregão de sexta, uma surra no índice. Ironicamente, números vieram ruins na China, mas quem acredita neste números chineses? Segunda semana de queda na NYSE não é biscoito. Desde seu recorde, o Dow foi do Céu ao Inferno…

Art of the Deal

Na política americana, o presidente Trump ameaçou com o government shut-down se o partido democrata, na oposição, não flexibilizasse para a implantação de políticas em combate à imigração ilegal. Trata-se de ameaça inédita, já que o government shut-down, ie, a obstrução da aprovação do orçamento, costuma ser arma dos partidos de oposição, jamais da Casa Branca. Não se esqueçam que o presidente americano no passado já dissera que seus melhores negócios foram feitos quando se levantou da mesa e ameaçou ir embora. 

Quanto ao câmbio no Brasil, o dólar ficou lá flertando com o 3,90, indeciso se subiria mais ou cairia, a Bolsa do mesmo jeito, apertada. O tom das últimas semanas foi preocupação externa, já que, internamente, as preparações ao governo Bolsonaro vindouro mantém a calma nos mercados. A coisa está tão calma nas bandas tupinambás que o Copom manteve estável a taxa de juros aqui…

Céu ruim

Avianca

A Avianca brasileira (Ocean Air) entrou em Recuperação Judicial, e o presidente Temer liberou, finalmente, a entrada de 100% de capital estrangeiro nas Companhias Aéreas, o que favoreceu a Gol, ao qual é certo que será totalmente encampada pela Delta. Registre-se que a história das companhias aéreas é uma sucessão – no Brasil e no mundo – de falências.

É muito difícil ser uma Companhia Aérea: Os preços do combustível e um mercado naturalmente de alta regulação atiram seus custos lá em cima. De tempos em tempos um acidente aéreo literalmente arrebenta o setor. E aviões novos e mais econômicos sempre deixam as frotas antigas perigosamente caras. As aéreas antigas, como Air France e British Airways, vivem com leite de pata estatal. É irônico como um setor tão vital para o mundo pode ser economicamente tão desafiador.

Mesmo o Brasil, com nossa mediocridade aeroportuária, coleciona uma sucessão de nomes que saíram do mercado ou por falência ou por fusão, Panair, Varig, VASP, Transbrasil, Cruzeiro, Webjet, Trip,  TAM, (que foi para o Chile na Latam)… Em tempo, o novo governo sinalizou que pode acabar de vez com  o brontossauro da Infraero… 

           O Céu dos Céus irado

No Brasil, uma notícia triste, passada quase que em branco, e sinal dos tempos em que vivemos. Na Catedral de Campinas, um das mais importantes centros industriais e tecnológicos do Brasil, um criminoso abriu fogo e matou cinco pessoas após a missa, matando-se depois. O assunto recebeu pouca atenção e investigação, e quase não despertou a opinião pública. Se compararmos com a celeuma causada pela morte de um cachorro semana retrasada no Carrefour de Osasco, observamos quão longe o Brasil tem se afastado de seus valores. Não houve reflexos no mercado financeiro. Jamais esperem o Ibovespa a 200.000 pontos sem valores morais antes de financeiros.

No mesmo dia, um terrorista abriu fogo no mercado de Natal em Estrasburgo, França, matando outras quatro pessoas. Enquanto na França já se identificou muito bem que fez e porque fez, no Brasil a mera hipótese de ação coordenada neste ataque simultâneo é repelida. Sic transit gloria mundi.

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