O petróleo não é mais das Arábias: Resumo semana 49

OPEP Estados unidos petróleo

Toda vez que o investidor vê seu portfólio derretendo o pânico se instala. O melhor a se fazer nestas horas é respirar fundo, selecionar a aba do home broker, conduzir o ponteiro do mouse até o xis e clicar, logo depois, pegar um copo, enchê-lo de líquido sem gelo, detalhe importante, e abrir um livro.

Foi o que fiz nesta semana quando a bolsa despencou por causa das incertezas sobre a reunião da OPEP que levaram a cotação do petróleo e as bolsas para baixo. Entupido de calls de Petrobrás, a bebida escolhida foi a Grappa a qual ganhei de um amigo. Sem gelo, porque a vida não opera os acontecimentos da maneira que desajamos.

A sensibilidade quanto às notícias não é exclusividade minha, o mercado parece andar a saltos nos últimos dias. Notícia boa sobe com força, desconfiança cai, notícia ruim despenca. O que antes era bom, já não importa mais. Claro que isto é fruto do cenário internacional. Temos uma guerra comercial entre americanos e chineses, aumento de juros nos Estados Unidos, disputa pelo preço do petróleo, Brexit e receios sobre uma crise econômica nos EUA.

Não é pouca coisa. Por isso, o mercado financeiro é apaixonante. Vamos aos dados e posteriormente aos comentários.

O Departamento de Comércio anunciou o maior déficit da balança comercial em 10 anos. O saldo negativo leva a crer que as ações do presidente Trump em relação às políticas comerciais serão mais fortes nos próximos meses, apesar de ter dito uma conversa amigável com os chineses.

Não obstante, os dados de emprego na construção civil americana caíram, o motivo: falta de mão-de-obra qualificada – nós, brasileiros, sabemos bem como é isso. Na sexta-feira os dados de emprego vieram mais fracos que o esperado, até semanas atrás o mercado comemorava, pois significaria que as taxas de juros não subiriam tanto. Agora o foco é outro. O nervosismo toma conta do mercado.  Todavia, tudo indica que a economia nos EUA anda bem, por enquanto.

Além disso, temos a reorganização do controle mundial de produção do petróleo. Pois os americanos anunciaram que pela primeira vez na história exportaram mais que importaram. Sua produção de petróleo não pára de crescer puxada pelo aumento de eficiência e da extração do óleo do xisto. Assim, a roda pode se inverter e a influência dos americanos no mundo pode aumentar.

Embora a OPEP esteja costuram uma redução 1,2 milhões de barris de petróleo dia (bpd), sabe-se que os países integrantes vivem um dilema. Precisam um valor maior de óleo cru para fechar as contas de seus governos, contudo, um valor mais alto impulsionaria a indústria americana de extração via xisto. Na outra ponta, Trump não quer um preço mais elevado por causa do Iran e por considerar que um preço baixo favorece a economia mundial.

Junta-se as expectativas sobre a próxima reunião do FED e temos um turbilhão emocional prontinho no mercado financeiro.

E o impacto no Brasil?

Em outubro, o investidor estrangeiro correspondeu à quase 50% das transações na bolsa de valores de São Paulo. Com todo este peso, as turbulências estrangeiras afetam muito o nosso índice, principalmente, quando as tribulações estão ligadas diretamente com a Petrobrás via cotação do petróleo.

Enquanto a Petrobrás oscilava, o Ibovespa bateu seu recorde histórico chegando, na segunda-feira, em 91.242 pontos.

Dados da semana

IBOVESPA: -1,59%, 88.077 pontos

DÓLAR: +0,79%, R$3,89

As oportunidades por aqui continuam grandes, somos entusiastas das mudanças que ocorrerão no Brasil no próximo governo. Não acreditamos que as notícias de intrigas entre membros do PSL travarão as reformas que precisam ser feitas. Política não é para fracos. Vemos alguns economistas alertarem sobre estas disputas de poder (bem, eles se quer conseguem ver desta forma) que consideramos normais e, por enquanto, não há motivos para se preocupar com isso.

Portanto, seguimos confiantes no desempenho futuro da bolsa brasileira, mas alertamos que posições em dólar devem ser montadas “just in case”.

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