Devorando os porquinhos

devora poupança

A inflação é a grande inimiga dos poupadores. A inflação é a destruidora por excelência dos cofres-porquinhos de moedas. Devora o valor de toda moeda que você guarda.

Tomando na poupança

Vamos a um exemplo. Peguemos a poupança, que, por falta de informação, ainda é o investimento favorito dos brasileiros que conseguem poupar.

R$ 20.000,00 investidos em 01/jan/2014 em 01/jan/2015, livre de impostos (pelo menos esta vantagem a poupança tem) renderam R$ 21.415,98. Ou seja, R$ 1.415,98 de “lucro”, né? 7,08%. Ó, glória! Ó segurança! Ó finanças!

Só que não.

No mesmo período, o INPC, índice de preços ao consumidor, inflação calculada pelo IBGE, deu 7,80%. O mesmo valor corrigido no INPC seria de R$ 20.000,00 para R$ 21.560,00. Ou seja, você não teve lucro algum na poupança. Pelo contrário, perdeu R$ 144,02!!! Perdeu em poder de compra!! Porque a inflação devora !

“Ah, é pouco!”

Folias imobiliárias

Não senhor! Vamos supor agora que o nosso poupador hipotético tenha vendido um imóvel de família, um singelo apartamento de 75 m2 num bairro de classe média paulistana do Jabaquara. Ora, hoje em dia os aptos novos mesmo de 3 dormitórios não têm 75m2, então estou generoso supondo um imóvel antigo.

Primeiro de tudo, fazendo uma estimativa imobiliária, o valor do metro quadrado de 2 dormitórios no Jabaquara em janeiro de 2014 era de R$ 4979,71/m2, logo o apartamento valia, arredondando, R$ 374.000,00. Razoável. Deixado um ano na poupança, R$ 400.554,00.

Mas pela inflação, temos R$ 403.172, diferença de R$ 2.618,00. Parece pouco. Porém pense nos poupadores que mantém seu dinheiro por anos… anos… anos na poupança. Este valor é comparável ao IPTU do próprio imóvel. Porém imóveis tendem a proteger contra a inflação. Muito do que o povo entende como “lucro imobiliário” na verdade é mero reajuste inflacionário. Da mesma maneira, investimentos de pura poupança de capital, como a própria poupança, títulos públicos e renda fixa, não protegem contra a inflação (Louvável exceção à letras do tesouro se atreladas à inflação carregadas até o longo vencimento).

Sempre devemos descontar a inflação dos juros que receberemos de qualquer aplicação financeira. Caso contrário é auto-engano. Para ser honesto, mesmo das não-financeiras. Então vender uma casa pelo dobro do valor de compra, 100% de lucro, não é bom negócio se a inflação do período foi de 200%. No exemplo que demos, como resultado, qualquer aplicação que rendeu menos de 7,8% em 2014 foi mau negócio e perda.

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