Série Moedas: O Euro

Carlos Magno e euro

Esta Série Moedas será uma sucessão de artigos em que apresentaremos de maneira leve e sem complicações as principais moedas mundiais para acumulação de riqueza. E no episódio de hoje: Euro, a moeda da União Européia…

Episódio IV

Euro, o novo denário

A idéia de União Européia, como toda boa idéia, vira uma má ideía quando é tomada por gente de más idéias, ou melhor, gente de ideologia. Uma união, um acordo comercial, um tratado internacional é razoavelmente neutro como um trator. Tudo depende de quem está no comando. O trator que constrói diques e aterra valas é o mesmo que destrói casas. Falando claramente, uma União Européia funciona bem se um Antonino Pio ou um Carlos Magno está a frente.  Mas quando um bando de tecnocratas globalistas sem rosto avessos aos valores ocidentais toma conta, coisa boa jamais sairá. Estes, contudo, são um aspecto político. Falemos da economia. É verdade que um discurso estritamente econômico contra um discurso político tem a resistência comparada de uma teia de aranha contra uma retroescavadeira. Avisados os leitores da insuficiência do tema, Euro, aqui vamos nós.

O euro é a moeda fiduciária de vários países componentes da União Européia. Foi criado em 1995, implantado em 1999 como moeda contábil, substituindo a circulação de moedas tradicionais como o escudo português, o franco francês, o marco alemão, o dracma grego em 2002, ou seja, no bolso das pessoas… mas a Grã-Bretanha manteve sua libra esterlina. A Suíça não entrou, e manteve o franco suíço.  A entrada na Zona do Euro tem alguns compromissos a ser assumidos pelo país proponente, dentre eles baixo endividamento e inflação. Particularmente isto é ótimo. Entrar na Zona do Euro é um regime de fitness fiscal comparável a um triatlon de contas públicas. Desde os denários romanos a Europa não tinha uma moeda comum.

Nem tudo são flores

Euro moeda união européia

O grande problema do Euro foi que ligou, como vasos comunicantes num único Banco Central Europeu, potências seculares como França e Alemanha com quintais atrasados da Lituânia, Portugal, Grécia, etc. É como fazer uma carro puxado por bois de carga (Itália, Espanha, Holanda, Rep. Tcheca), cavalos de corrida (França, Alemanha), cães vira-lata (Grécia, Portugal, Irlanda) e um pardal (o inefável Estado do Vaticano). As consequências do Euro para países menores foi muito dura, eliminando indústrias locais, drenando mão de obra qualificada, importando deflação. Pior ainda, não tendo Banco Central, países que tiveram sua situação fiscal deteriorada não puseram causar inflação para acertar as contas públicas.

Como resumo da ópera, a União Européia é periodicamente devorada por crises que se alastram de seus elos mais fracos, como Irlanda e Grécia, sem prejuízo das crises externas, como a crise cambial russa e o subprime americano, e a espada de Dâmocles das contas públicas de Itália, Portugal e Espanha. A insatisfação é verdadeiramente a grande união européia: países como Itália, que recentemente teve o orçamento público reprovado pela União (a moeda é comum, não é mesmo?), Grécia, Irlanda e Espanha, reclamam da interferência em sua soberania. Nos países grandes, França e Alemanha,  que pagam a conta dos “pacotes de ajuda“, os cidadãos reclamam que tem de arcar com o preço da estupidez fiscal dos políticos dos países menores. Não é a toa que a velha Inglaterra, sábia como sempre, resolveu pular fora. Isso porque teve o bom senso de não entrar na Zona do Euro…

Euro hoje

A época deste artigo, um euro vale 1,13 dólares e 4,34 reais. Não é possível fazer a tradicional paridade da inflação do euro desde a criação do real, a gloriosa moeda tupiniquim, que o precede. Mas desde 2002, quando as moedas de euro começaram a circular, a inflação na Zona do Euro foi de 29,9%, enquanto a inflação em reais foi de 181,2%. A inflação da zona do euro deve ser entendida em termos, como já explicamos, a inflação pode ser local. Portanto não é raro ver a inflação do euro expressa no mercado francês ou alemão. Logicamente, a inflação em toda Europa tende a se influenciar com a circulação de bens e serviços e as arbitragens que começam a haver entre os países.

O euro é a segunda moeda reserva de valor mundial, abaixo apenas do rei dólar, e reforça o poder econômico da União Européia. Entretanto, a despeito dos temores iniciais, a fragilidade geopolítica da União Européia não permite que o euro tome o lugar do dólar. Como investimento cambial, a negociação entre euro e dólar é interessante. Entre real/euro não julgo que seja muito diferente de real/dólar, porque o real é muito mais variável que o euro em si. Ou seja, quando o real depreciar (ou valorizar), vai levar o dólar e como consequência a moeda da União Européia, o euro.

Mapa honesto da União Européia (2018)

Azul – União Européia

Azul claro – quem entrou e não sabe como vai sair

Verde – país esperto, muito esperto

Cinza – De tudo um pouco

Vermelho – um bom motivo para continuar a pagar a OTAN



Leia mais sobre outras moedas:

Real Brasileiro

Dólar americano

Euro da União Européia

Libra britânica

Rublo russo

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Yen Japonês

Franco suíço

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Direitos de Saques Especiais do FMI

Ouro

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