A ilusão do aumento

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Suponha um profissional que receba seus R$ 10.000 por mês, totalizando R$ 130.000 anuais (porque temos nosso 13º bem brasileiro, esta linda jaboticaba). Como na vida tudo é inevitável, menos o imposto, já vamos grosso modo pôr os 27,5% do Imposto de Renda da Pessoa Física nesta renda bruta sem as sutilezas da declaração e sem abates de INSS. Afinal, o que abate ali na tributação do IPRF o ICMS come ali no consumo. Logo, renda líquida anual de R$ 94.250.

Na virada do ano, o patrão chama e – honra ao mérito! – disse que vai dar um aumento de 3%. É pouco, mas de coração, diz o chefe. O profissional vai para casa todo feliz contar os cobres. Logo, o salário bruto vai para R$ 133.900 anuais, o líquido anual fica em R$ 97.077,50.

Ganho de R$ 2.827,50. Dá para comprar uma bela TV 4K, não???  Black Friday, tudo pela metade do dobro, ai vai ele!

Só que, ó tempos, ó costumes!!! A inflação foi de 4,5% naquele ano. Ou seja, para manter o poder de compra, o salário bruto teria de ter sido TV dinheiro inflação ilusão aumentode R$ 135.850,00, um líquido de R$ 98.491,25. Ou seja, houve uma PERDA DE PODER DE COMPRA de R$ 98.491,25-97.077,50=R$ 1.413,75. 

Na prática é como se o salário fosse reduzido em R$ 1.400 reais, mesmo com o aumento. Sem o aumento, pior ainda, R$ 4.241,25 de perda no poder de compra no salário líquido. É como se o nosso autor ganhasse numa moeda pouco inflacionária, tipo o franco suíço, os preços fossem mantidos e nosso herói recebesse no final do ano não um aumento, e sim uma diminuição de salário. Revoltante, não? Mesmo para um suíço…

E a TV de R$ 2.800,00? Com a inflação, a despeito do aumento, no ano seguinte, em média, mantendo as mesmas condições, ela custaria R$ 2.926,00. Seu salário nominal não muda, é a TV quem sobe.

O leitor deve estar lamentando seu destino ao saber que na carteira de trabalho seu salário está fixo, e, a despeito dos esforços, não recebe aumento de mérito no final de ano e já está feliz por não ser demitido. Tem os dissídios para repor as perdas, outra jaboticaba brasileira de memória inflacionária. A simples constatação empírica da realidade sabe que poucas categorias conseguem repor a inflação nos dissídios. Aliás, dissídios são o tipo de remédio que agrava a doença.

Ter dinheiro, meu amigo, é como estar parado numa escada rolante descendo. Você tem de subir para ficar no mesmo lugar. Ainda voltaremos neste tema. Aliás, voltaremos sempre. De falar de inflação jamais nos cansaremos.

 

 

 

 

 

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