Série moedas: Libra britânica

Esta Série Moedas será uma sucessão de artigos em que apresentaremos de maneira leve e sem complicações as principais moedas mundiais para acumulação de riqueza. E no episódio de hoje…

Episódio II

Rule Britannia!!! A gloriosa libra esterlina”

Muitas vezes uma nação fica tão forte que sua moeda torna-se referência no mundo. É um fenômeno antigo. Os dracmas atenienses, os denários romanos e os ducados venezianos foram moedas mundiais em suas épocas. E o Império Britânico deu também uma moeda mundial, a famosa libra esterlina, ou, em bom inglês, pounds £.  Pounds e seus centavos, os penny, ou no plural, pences.

A Libra Britânica na História

Foi com a libra que D. João VI pagou suas contas. Foi com a libra que o Barão de Mauá especulou no câmbio. Foi com a libra que nossa primeira República lidou. A libra foi moeda mundial. Foi. Não é mais. A libra perdeu espaço para o dólar, e deixou de ser definitivamente no Tratado de Bretton-Woods (1944). As causa são inúmeras, e ajudam ao nosso leitor entender o que é uma moeda de referência mundial. Com o stress da Primeira e Segunda Guerra, o Reino Unido da Grã-Bretanha perdeu seu poder mundial e assim a libra perdeu seu espaço. Não podemos também apontar apenas causas geopolíticas. Ocorreu na recuperação entre guerras uma certa guerra cambial européia, com desvalorização do franco francês e o marco alemão sendo devorado pela hiperinflação da República de Weimar. Guerras cambiais usualmente prejudicam os países de moedas mais fortes. O mecanismo é complicado, mas fique o leitor sabendo que um país desvalorizar sua moeda não é humilhação, e sim atirar a conta no pais de moeda mais forte. No caso, a Grã-Bretanha com sua moeda mundial. Os brutais aumentos de impostos britânicos após a Segunda Guerra puseram mais tensão no abandono da libra como moeda mundial. Os próprio britânicos tem uma certa culpa na decadência de sua moeda. Na primeira metade do século XX, o Banco da Inglaterra tentou o retorno ao padrão-ouro, ou seja, a moeda em circulação valeria uma certa quantidade de ouro no tesouro inglês. Isso, por diversos motivos, arruinou a economia inglesa e foi abandonado. Hoje em dia ninguém tem padrão-ouro, nem o dólar. As moedas são fiduciárias, por elas mesmas não valem nada, mas valem a confiança nelas. Entretanto, há que se dar um mérito aos ingleses: mesmo que  o próprio Warren Buffet já tenha ficado famoso por fazer um belo ganho cambial especulando contra a libra, ao entrarem na União Européia, a Grã-Bretanha não abandonou sua libra pelo euro.  Isto facilitou grandemente o Brexit, a saída do Reino Unido da União Européia. Porque ter a própria moeda é um ato de soberania, além de oportunidade de controlar a inflação interna, ou mesmo entrar numa guerra cambial. A Grã-Bretanha teve a sabedoria de não entregar aos burocratas de Bruxelas estas ferramentas.

A força da Libra Esterlina

A libra britânica ainda é tida como moeda forte. De 1994 a 2018 (período de vida do Real), a inflação em libras foi, grosso modo, de 60%. Nominalmente, vale mais que o dólar. Uma libra está valendo 1,50 USD. Mas não se deixem enganar, isso não significa nada. A força da libra é a força da Grã-Bretanha. Com o Brexit, e recuperação da economia britânica, pode ser que a libra se aprecie. Para um brasileiro a libra tem basicamente a utilidade para quem for visitar a Grã-Bretanha e eventual estratégia especulativa de médio prazo. Como reserva de valor, espera-se que as turbulências da economia britânica eventualmente prejudiquem a libra. Por outro lado, o Brexit tende a voltar a fortalecer o Reino Unido frente às nações, com a apreciação da libra. A libra pode ser interessante como uma posição especulativa moderada. Na frente dela, como reserva, sugeriríamos o dólar e o euro, mas estas duas não estão isentas de risco: o dólar está sob forte ataque de perder seu status de moeda mundial. Já o euro, bem, a União Européia não vai nada bem politicamente, e anda de lado economicamente.

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