O Feijão e o Sonho (de manter o poder de compra)

A maioria de nós, senão todos, recebemos nosso rico dinheirinho depois de um mês de trabalho, ah, que sonho! Ao chegar, está comprometido com as despesas, contas de consumo e alimentação. Qualquer pessoa média, após os impostos, tem uns bons 80% da renda comprometido com despesas. Não digo apenas no Brasil, mas no Mundo. No Brasil, a estatística seja talvez pior, e é por isso que estamos aqui.

Mas queremos ter certeza de que nossos R$ 70,00 recebidos vão pagar os R$ 70,00 da conta de luz, não? Afinal, tantos quilowatts foram consumidos, deve ser pago em moeda corrente no dia aprazado. E as companhias elétricas fazem um belíssimo despotismo hidráulico como um tirano sumério fechando os canais de irrigação, ou você paga, ou literalmente vai para as trevas.

Feijão

COMPRAR FEIJÃO

Pagamos os R$ 70,00 da luz, os R$ 30,00 da água e etc, então vamos ao supermercado. R$ 4,75 compram um quilograma de feijão. Você quer que seus R$ 4,75 comprem o dito R$ 4,75 do mercado. Por lei, no Brasil, o mercado tem de aceitar seus reais. A função da moeda é unidade matemática de troca. 4,75 reais na mão, feijão no sacolão. E R$ 9,50 irão comprar 2 kg. E R$ 14,25 irão comprar 3 kg. O dinheiro é teu, compre o quanto de feijão quiseres! Ó magnífica liberdade, poder comprar feijão até o limite de seu salário.

Feijão, entretanto, é um bem cujo consumo não pode ser aumentado infinitamente, dado sua natureza alimentícia: seres humanos tem patamares possíveis de alimentação. Sobrou dinheiro, mês vindouro, você quer utilizar o dinheirinho guardado para comprar 1 kg de feijão.

Mas por quanto? Suponha que sobraram exatamente os R$ 4,75 e você alegremente vai mês seguinte ao supermercado para seu justo um quilo. Pasme! Por artes do IPCA, a inflação ao consumidor, o feijão custa R$ 4,77 o quilo. Não, o mercado não vai te vender por R$ 4,75, mesmo que você alegue que moedas de um centavo não mais são usadas no Brasil. Para o feijão, é quatro reais e setenta e SETE centavos. Aumento de 0,5%, coisa pouca, pouco ais mque os juros da poupança, mais que um dissídio.

E O PODER DE COMPRA?

Meu amigo, você acabou de perder PODER DE COMPRA. Se sobraram R$ 200 na sua carteira, você podia comprar 42 kg e 100g de feijão, agora só pode 41 kg e 900g, arredondando porque a balança do mercado não é lá aquelas coisas. Parece pouco, mas vamos extrapolar em um ano, mantidas as mesmas condições de aumento, o feijão custa R$ 5,04 e com seus duzentões você só leva 39 kg e 700g.

Quase dois quilos e meio a menos. Isto se chama poder de compra no sentido mais estrito possível. Sim, o feijão pode baratear, dependendo da safra. Mas é mais comum aumentar que abaixar, a economia e experiência prática nos dizem.

Portanto, qualquer planejamento de poupança e investimento visa singelamente manter isso: que você possa sempre comprar seus 42kg de feijão. Manutenção de poder de compra, nada mais, nada menos. A moeda na sua carteira é reserva de valor a curto prazo, a longo prazo é um balde com um furinho, vai perdendo aos poucos seu valor e poder de compra. Estancar estes furinhos não é possível nem desejável, artes da macroeconomia. Mas, ao contrário da física dos líquidos, você pode esticar o líquido da moeda guardada no seu balde do poder de compra, compensando o perdido. É isto que pretendemos ensinar.

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