Iluminando as ruas da Vila Prudente, com Radha, Joner e NP Vocal

NOS BASTIDORES COM RADHA, NP VOCAL E JONER

 

Em uma noite morna de outono O Quinto Poder colou pra leste, na Vila Prudente e sem lua, iluminamos com lanternas os bastidores do clipe Luzes, novo single dos manos Radha, Joner, e Np Vocal.

Antes de sair pelas ruas do bairro, encostamos na RCK Records, estúdio do Radha, onde eles deram à luz ao som. Lá os caras convivem quase diariamente e o clima era bem familiar. Nos sofás de couro preto ou nas três cadeiras de escritório, era como se todos estivessem em casa com os parceiros. Vinho barato, cigarros e muito rap estralando nas caixas.

Dizem que intimidade é foda, mas entre os três Mcs a vivência funciona e está explícita nas rimas e na gravação. Ninguém mostrou ter problema para cobrar o outro, dar uma dica aqui e ali ou para pedir uma ajuda. O Radha, por exemplo, bota fé que o processo de criação de músicas em conjunto seja algo muito natural, muitas vezes mais fácil do que fazer trabalhos solo.

Em Luzes, a facilidade de trabalharem juntos traçou, sem querer, um mesmo objetivo pro som final. Foi o NP quem puxou o bonde. Ele chegou um dia na Rck e soltou o refrão em cima do beat do Denielz, no dia seguinte Joner e Radha já estavam com a letra pronta pra gravar.

“Quem me dera se essas suas luzes fossem claras como as luzes de um som que eu fiz entre as nuvens sem suas luzes.”

Muitas vezes o processo é natural, ninguém teve que pensar em como ele seria feito, Joner explicou. “Mano, nem sempre um som tem planejamento, ele só surge e a gente segue no processo”. Colar no estúdio quase todos dias ajuda muito, um cara vem com uma ideia, outro Mc cresce a ideia e o som vai sendo construído. “Já deve ter uns 30, 40 sons gravados”, disse NP.

Mesmo surgindo vários sons de uma forma bem natural, Radha explicou que nem tudo é utilizado da maneira que nasce. “Tem um monte de trampo, mas a gente seleciona os melhores pra dar uma produzida e soltar. O resto a gente reforma, reusa, estamos todo dia aqui produzindo.” A fita é que o processo de criação não para, não pode parar.

 

Letras iluminadas em um roteiro freestyle

Toda a vivência compartilhada, até nos momentos difíceis, vira música. “A escuridão, a sujeira, as drogas estão ali, no bairro de boy, em todo lugar. Elas ficam muito bem expostas para quem quiser ver”, explicou Joner. Por isso que a arte não pode parar, pra trazer a clareza que o NP canta no refrão.

Pra ele a fita é que o sistema esconde muita coisa e a gente tem sede de clareza. “O sistema não esclarece como a nossa música esclarece. Falta de informação, mano, essa é a maior doença da população; a falta de informação, de interesse, de clareza.”

“Sou mais um louco, torto, reto no papo, no vento eu tô solto. Poeta do fundo do poço de um subsolo de um mundo infinito, onde ninguém é mais visto, mais visto é pipoco”

Da mesma forma que o processo de criação da música foi bem natural, a gravação do clipe também. Rodamos por várias ruas da Vila Prudente, passamos por barzinhos, mercearias fechadas e casas com as luzes já apagadas, apenas algumas televisões tocando baixinho ao fundo.

Até que chegamos na Praça Centenário onde os manos decidiram que seria um bom cenário para o clipe. Uma vez lá, a gravação desenrolou rapidão, mas essa falta de roteiro se dá também pela falta de orçamento e de tempo, como Radha e Joner nos contaram.

Esse freestyle todo, porém, pode atrasar um pouco as gravações, mas pode ser muito bom e surpreender. A praça escura com um monumento de mármore preto bem no meio foi o palco perfeito para os Mcs iluminarem o lugar com suas rimas. No final o sentimento e a ideia foram transmitidos e o clipe ficou foda.

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