Muito além do jogo por status, com Lourena, SpVic, Rod e Cartier

NOS BASTIDORES COM LOURENA, SPVIC, ROD E CARTIER

 

Patrimônio é mais um single da temporada de cyphers do Rap Box. O time fechado pra esse som é Rodrigo Cartier, Rod 3030, Spvic e Lourena. As rimas ácidas questionam a influência do hype dentro do rap e como cada artista se porta diante desse exagero da busca por status, pagando uma pose que não têm.

Os quatro Mcs, mesmo sem combinar nada, escreveram suas letras pensando nessas críticas. Mas eles foram além, rimaram sobre temas atuais, como o recente caso de racismo do youtuber Cocielo abrindo espaço para discutir o universo “fora” do hip hop.

 

Dentro do estúdio

Na gravação, Rod e Cartier foram os primeiros a chegar, assim como os primeiros a rimar, os dois estavam na correria porque de noite já voltariam para o Rio de Janeiro. Logo na entrada do Casa 1, o papo era sobre o rumo e o profissionalismo do rap, eles discutiam um pouco sobre o jogo de ego e o amadorismo nas relações entre Mcs, produtoras, gravadoras e todos os personagens que fazem parte da cena. E isso tudo antes de pegarem o mic para rimar.

Cartier é o primeiro e chegou mostrando que não importa o dinheiro que você tem enquanto geral tá apertado de grana até pra sobreviver. Assim como essas pessoas que pagam de inimigos, mas que não saem do xingamento e não fazem nada.

“Pouco nos importa quantas notas no seu bolso já que a grande maioria conta cordas no pescoço (…) Enimies de verdade não trocam farpas trocam balas na verdade. E no país da camisa 10, quanto vale? Quantos que reclamam? Quantos pensam? Me diz, quantos agem”

Rod não foi diferente e, mais uma vez, cutucou a política brasileira no seu trampo no Rap Box. “Participar de projetos aqui possibilita que eu traga um lado meu que não exploro muito no 3030, então eu sempre gosto de trazer algumas rimas polêmicas”, comentou momentos antes de xingar o Bolsonaro de novo nos estúdios.A versão original está no Spotify, no Youtube, mas rolou uma censura.“Eu sabia que ele ia falar do cara de novo, mano!”, soltou o Léo, que conhece bem esse lado polêmico do Rod dentro do estúdio.

Lourena chegou alguns minutos depois da hora marcada, mas vamos dar um desconto, essa é a segunda vez que a carioca cola pra São Paulo. E outra, tinha um bom motivo para se atrasar, momentos antes ela estava no Pantanal Santa Cruz, hotel à alguns metros do estúdio, terminando seus versos pesados para Patrimônio.

Quando ela chegou e mostrou pra galera o que tinha preparado, não teve ninguém que não ficou arrepiado. Com uma voz rouca e puxada, ela cantou suas referências na música e na vida mostrando o poder dos pretos.

“Eu canto Aretha Franklin com flow de James Brown, pretos no topo voando com Bessie Coleman”

Já o SpVic colou focadão pra fazer o trampo virar. Depois de trocarem ideia dentro da cabine de som, onde tem um sofá, uma cadeira de escritório e aquela mesa de som com milhões de botões, ele abriu a letra no celular e entrou no estúdio. Foi tudo muito rápido e com poucos ajustes. Ele fez sua linha principal, ouviu uma vez, arrumou algumas coisas e…. “Tá hora de dobrar!”

Para quem ainda não imaginou como aquelas vozes de fundo aparecem, aí vai: os próprios Mcs mudam sua voz para bem grave, média e aguda, cantando trechos, alguns versos, harmonias e pronto, aí estão as dobras. O cantor do Haikais tinha uma visão bem completa de seu som, ele chegou com todas dobras já pensadas, desde o tom até as partes que faria cada uma. Fez sua linha aguda, grave e média, sabia exatamente o que estava fazendo, gravou de uma vez só e estava pronto.

Arremates finais

Com cada linha pronta, eles foram pra mesa de som juntar as partes de Patrimônio. “Coloca aquela voz do Bill na parte que eu falo dele, aquela…. “Mudando o flow!”, Rod pediu pro Léo, que rapidão pegou o som no Youtube, cortou e colou na parte que o Mc pediu antes de fecharem a música.

Então ficou Cartier, Rod, Lourena e SpVic. Imagina esses quatro juntos