Dos 16 aos 37: a união de gerações, com Nocivo, Brazza, Gigante e Zeus

NOS BASTIDORES COM BRAZZA, GIGANTE, NOCIVO E ZEUS

 

Nova e velha geração? O som A Divina Comédia, com produção do Leo Casa 1, não liga muito pra essas fitas de idade. O que conta mesmo é a união de Mc’s que mesmo de gerações tão diferentes vieram com uma ideia certa e que bateu muito.

Nocivo Shomon, Gigante, Fabio Brazza e Zeus Mc rimaram num beat do Mortão carregado de sarcasmo pro canal do Rap Box. O trabalho estará disponível nas plataformas digitais a partir do dia 21 de maio.

Toda essa harmonia com gerações tão diferentes do movimento (a ideia certa que a gente tava comentando ali em cima) ficou clara nos versos de cada Mc, afinal você tá ligado que não é a idade ou o tempo que o cara segura o microfone que vai dizer se ele tem papo pra mandar ou não, mas sim o que ele viveu, o que ele refletiu sobre a existência.

O Gigante até chegou a dar um exemplo que ilustra bem isso: “Eu tenho o dobro da idade do moleque [Zeus], sabe? E mesmo assim temos a mesma linguagem, que é o rap, as rimas, aquele sarcasmo ácido, aquela voz das periferias”.

 

O Processo

A criação do single foi diferente pra cada um. Quando o projeto foi pensado e o time decidido, o Zeus, Mc do rio Grande do Sul, recebeu o beat pelo whats e no mesmo dia já foi escrever: “Eu sou muito acelerado, tô sempre empolgadão. Quando eu recebi o beat, já gravei uma guia em casa mesmo. Tava ansioso pra fazer a parada”.

Mas essa não foi sua guia final, ele mudou o som até o momento em que estava de pé com o mic na mão dentro do estúdio. “Meio que de última hora eu fiz uma parada totalmente diferente. Eu escuto o que eu mesmo fiz e acho daora, daí depois de um tempo eu não tô curtindo mais. Mudar é comum”. Trocando ideia com ele você esquece que o mano tem 16 anos, dá pra perceber como ele é crítico com o próprio trampo, a busca pela melhora é constante.

Pro Gigante, o processo de criação foi algo que veio de dentro: “Compor é escrever o que cada um tiver ali para expôr, meio que um bagulho de alma mesmo. Então você para e pensa em fazer a melhor rima que você puder de acordo com o que o beat pede, de acordo com o que você tá vivendo, é uma mistura”, ele disse.

O Nocivo escreveu sua parte no do dia, ali no estúdio mesmo, sem muitas dificuldades. Mas lembrou da dificuldade de estar a altura de um beat tão bom: “O beat do Mortão já rima. Tem beat que dá até dó de rimar em cima. Pô, você tem que superar o beat do mano e às vezes é muito difícil”.

“Eu acho que o daora de fazer cypher é que te desafia a ser diferente. Então você vai fazer um cypher com o Nocivo, o Gigante, o Zeus… cada um tem um estilo e um nível de rima muito avançado. Então antes de escrever você pensa no que pode falar de diferente que vá acrescentar’”, foi nessa pegada que o Brazza veio pro som com versos sarcásticos e polêmicos que acrescentaram e conversaram muito bem com a parte dos outros artistas.

 

E qual é a cena?

Você vai ouvir que na Divina Comédia cada um tem seu estilão próprio e que a soma dos quatro fez um som responsa, mostrando que o rap é união mesmo. “Eu gosto bastante é quando muda de um Mc pro outro, cada um tem a sua característica e não perde isso. É como o Brazza falou, a gente sempre tem que escrever mais quando vai rimar com os monstros. E cada um tem seu público e nossa união acaba sendo a união do nosso público, cada um com a sua visão e somando da sua forma”, mandou o Nocivo.

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